Estético convívio

Julia Branco na Cas’a’screver — Foto de Florence Zyad

No último dia 22, a Cas’a’screver tornou a abrir suas portas, desta vez para o canto, na belíssima voz de Julia Branco, em seu segundo show secreto. Acompanhada por Thiago Braga e Gabriel Lisboa, com a produção de Leonardo Beltrão (Através Gestão Cultural), Julia recebeu como convidados-surpresa o músico e compositor Téo Ruiz e a compositora, cantora e poeta Estrela Leminski. A noite gelada foi aquecida pelo caldo de alho porró, preparado e servido por Dudu, que seguiu à risca a receita de Marguerite Duras.

Como “resto cantável” daquela noite em que a poesia e a música estiveram ali, ao rés-do-chão, evocamos as palavras de Maria Gabriela Llansol, em sobreimpressão:

“Se vim para acompanhar a voz,                                                                                              irei buscá-la, em qualquer lugar que fale,                                                                          montanha,                                                                                                                                        campo raso,                                                                                                                                    praça de cidade,                                                                                                                            prega de céu —-                                                                                                                             conhecer o Drama-Poesia dessa arte.”

Julia Branco na Cas’a’screver, em foto de Florence Zyad

Téo Ruiz, Julia Branco e Estrela Leminski na Cas’a’screver, em foto de Florence Zyad

 

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Estético convívio

paulo de andrade, “Um poeta na Cas’a”, em foto de Ana Alvarenga, 17 de junho de 2017

A frágil porcelana da escrita. Talvez tenha sido esta a frase que ressaltou, como resto cantável, do encontro de hoje na Cas’a’screver, com o poeta paulo de andrade. Assim, com minúsculas, como ele escolheu se escrever, com o “de” em secreta homenagem a Mário de Andrade, o poeta abriu, com a leitura de seu livro O dia sem poeta, os encontros “Um poeta na Cas’a”,  que hoje inauguramos.

Convidado a apresentar Paul Celan, de quem traduziu do francês alguns poemas e a quem dedicou seu  livro mais recente, paulo conseguiu, naquela manhã de exuberante azul, produzir “o silêncio por meio do silêncio”.

Apresentado por Jonas Samudio, seu aluno e também poeta, paulo iniciou com a questão que circunscreve a poesia de Celan e também a sua: “Onde buscar testemunho para o que não tem testemunho?” E ali, em meio a uma plateia de vinte e cinco ouvintes silenciosos, apresentou seu testemunho poético.

Entre o salto que é travessia e o salto que é abismo, estivemos suspensos, todos nós, durante as duas horas que a manhã e o seu azul testemunharam. Do resto cantável, ressoa ainda, no ressalto de uma frase — a frágil porcelana da escrita, pour Celan — o assombro: “O que é que aqui se passou?”

Nas belas imagens de Ana Alvarenga, que soube fotografar o silêncio, paulo, Celan e nós. 


César Guimarães e Félix Kaputu, em foto de Ana Alvarenga

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Sobreimpressões

Foto de Janaína de Paula, a caminho da casa de Virginia Woolf

Fotos Janaína de Paula

E, então, como um milagre decantado da arte da brevidade, leiamos o texto que se escreveu, na sobreimpressão das casas cujas portas subitamente se abriram para o que permanece hermeticamente fechado. Até hoje.  

Leiamos TEXTOJANAÍNADE PAULA

 

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Sobreimpressões

Foto de Sylvie Debs

“Para mim, o exílio faz parte da escrita, e não quero perdê-los.” Assim escreveu Maria Gabriela Llansol, que viveu em exílio, na Bélgica, durante cerca de vinte anos, tempo em que escreveu grande parte de sua obra, dando início ao que a autora chamou de textualidade.

Aqueles, cujo rosto aqui se dá a ver, talvez não definissem da mesma maneira o exílio, mas certamente não negariam que o exílio faz parte da escrita, tanto quanto as “vozes proibidas” que a constituem.

Para aqueles que, durante esta semana, estiveram reunidos em Lillehammer, Noruega, no Encontro Bienal ICORN & PEN Internacional, presentes também na exposição que se chamou “Forbidden Voices”, talvez Llansol pudesse dizer:

“Se vim para acompanhar a voz/ irei procurá-la em qualquer lugar que fale/montanha,/campo raso,/praça de cidade,/prega de céu_______”

Fotos de Sylvie Debs — Lillehammer, junho 2017

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Sobreimpressões

Florianópolis, maio de 2017 — Foto de Janaína de Paula

Às vezes o mundo acaba. E as palavras não cabem na rosácea, como  bem sabia Llansol. O infinito e a experiência do infinito, contidos num livro e em sua leitura, são insuportáveis para alguns homens, os homens de medida. Como salvaguardar o invisível que jaz no livro-mar? Certamente fazendo dobras, articulando. “Dobra tua língua, articula” — diria Llansol. “Quando a frase rosna, não há outro remédio”.

Às vezes, quase sempre, o mundo recomeça. E o invisível e o infinito, contidos no livro e em sua leitura, enfim, se expandem. Para aqueles que sabem que “não há na terra uma medida”, então, o livro se abre e, infinitamente, dá-se a ler. “Escrever é amplificar pouco a pouco”. “Ler é uma alma crescendo”.  Se assim for possível suportar o infinito — em escrita e leitura expandidas –, talvez, então, o mundo recomece para depois, e a cada vez, acabar … em livro.

Eis, em eterno recomeço, a cena de leitura, suave sobreimpressão em se encontram os textos de Tiago Pissolati — em sua escrita-apresentação de tese, a partir de Se um viajante numa noite de inverno, de Ítalo Calvino — e o de Janaína de Paula, em conversa infinita.

Leia aqui TEXTOTIAGOPISSOLATI , seguido de TEXTOJANAÍNADEPAULA.

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Encontro inesperado do diverso

Deolinda

Nesta semana em que se celebrou, no dia 18, a luta antimanicomial (enquanto o país se transformava na grande casa verde do conto “O Alienista”, de Machado de Assis), um encontro breve e intenso de grupos de trabalhadores e usuários dos Serviços da Saúde Mental da Prefeitura de Belo Horizonte  teve lugar no “café controverso” do Espaço do Conhecimento da UFMG.

Postamos aqui as palavras de Lucia Castello Branco que,  convidada ao debate, apresentou o texto  que se segue, de Marguerite Duras. Em verdadeira “prática da letra”– como Llansol, em sua prática nos ateliês da “École La Maison”, na Bélgica –, Duras soube acolher e dignificar o texto produzido por Barbara Mollinard, em seu sofrimento.

Celebramos, neste encontro inesperado do diverso, a resistência de um “nicho frágil de escrita comum”, herança maior da textualidade Llansol.

Texto de Lucia Castello Branco  seguido de Texto de Marguerite Duras.

nicho frágil de escrita comum — foto de Lucia C Branco

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Sobreimpressões

Foto Camila Morais

Em sobreimpressão com a textualidade llansoliana, fotos de Camila Morais por ocasião da finalização do livro A mais aberta, de Jonas Samudio, na véspera do lançamento, na Cas’a’screver. E, ainda por ocasião do lançamento, o texto de Jonas Samudio, em prece, em agradecimento, em puro bendizer.

Leia aqui o texto: textoJONASSAMUDIO

Foto Camila Morais

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