A luta cotidiana pelo fulgor: sutilezas

Foto de Daisy Turrer, da série “Passante”

Enquanto eu lia a Ética, escreviam-se estes textos que projectavam a sua luz diurna olhando a direito de baixo para a parte mais alta

todavia, mesmo o que não era entendido não me parecia obscuro ________ a imagem servia de revelação e estar sob o tecto de Spinoza, melhor dito, de Bento, é uma experiência que me revela o meu próprio amor inconsciente pela leitura, ou

o meu próprio amor pelo inconsciente da leitura.

Acompanhe, aqui, a Partícula 75:

Foto de Daisy Turrer

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A luta cotidiana pelo fulgor: sutilezas

Foto de Janaína Gontijo

Tudo isso partiu de uma rosa que eu deveria ter posto no solitário. Ele chamara-lhe Ética, e recolhera-a no roseiral, de propósito para mim.

Os reflexos sobre ela tornaram-se essenciais, porque nele executávamos os primeiros passos do canto, naquela noite. Se repararmos de boa vontade, a vida simples centra-se em histórias afectivas não apenas entre humanos mas entre humanos e entre ___________

“Quem estará disposto a saltar o muro da sensibilidade?”

Quem?

Acompanhe a leitura de Os cantores de leitura, na articula 74:

Foto de Rosi Chraim

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A luta cotidiana pelo fulgor: nuances

Foto de Luna Alkalay

Notas e lições: vou a correr pelo campo amplo de um texto. Abro os olhos e  em vez de trastes e objetos há plantações e espécies em vasos. Vejo um navio. Deve ser o jardim do mar. Camadas de percepções várias acumulam-se no olhar inicial.

Quem sou eu para procurar reconstituir o texto autêntico em mim? Vou ser tomada pela ousadia da leitura, mas sei que esta versão própria nunca será a derradeira.

E, de repente, tudo fica repleto da física do amor, tal como foi concebido pelas Damas do Amor Completo, de que sou uma espécie de camareira. Busco a Ética numa das estantes, que pode ser um banco encostado à parede.

Fui, por consequência, pegar na ética para tentar a felicidade humana e os meios, ao meu dispor, para a alcançar. Noites e dias são especialmente aqui origem uns dos outros.

Acompanhe, aqui, a Partícula 73:

Foto de Arturo Gamero

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A luta cotidiana pelo fulgor: nuances

A prática (geral: mental, escrita, vivida) da individuação é a Nuance (etimologia: ela nos importa porque ela implica uma relação com o Tempo que faz, coelum em latim – francês antigo: nuer = comparar as cores nuançadas com os reflexos das nuvens). A Nuance: tomá-la fortemente, geralmente, teoricamente, por uma língua autônoma; a prova é que ela é neuroticamente censurada, recalcada pela civilização gregária de hoje. Pode-se dizer que a civilização das mídias se define pela rejeição (agressiva) da nuance. Já falei várias vezes da nuance, como prática fundamental de comunicação; arrisquei até um nome: diaforalogia. Acrescento essas palavras de Walter Benjamin: “… as coisas são, nós o sabemos, tecnicizadas, racionalizadas, e o particular só se encontra, hoje, nas nuances”. (Roland Barthes)

Imaginem uma casa toda ela composta por nuances.  Uma Casa nas Nuvens plantada no chão. Uma casa que traz em seus muros dois corações ardentes.

Imaginem que, nessa casa, que abriga um café e uma livraria, inaugura-se, às vésperas de um 25 de abril, em 2022, um nicho frágil de escrita comum para abrigar os textos de, com, e para a escritora portuguesa Maria Gabriela Llansol.

Imaginem que essa casa, em Bragança Paulista, no Estado de São Paulo, abriga também as montanhas, aquelas mesmas que anunciam, já de longe, o caminho para as Minas Gerais.

E que nessa casa, que se expande para muitos cantos deste mundo, e para outros mundos do mundo, encontraram-se virtualmente e presencialmente os legentes, dentre os quais duas castelos brancos. Para fazerem ressoar, ainda hoje, e na voz de muitos outros cantores de leitura, o texto de Maria Gabriela Llansol.

Imaginem cortinas brancas, de gaze ou de organza, e ramos lilases. E o perfume de lavanda por todos os cantos. E rosinhas de Santa Theresinha. E a profusão de sinais, nas paredes da casa da cidade serrana.

Imaginem um sonho: o sonho de que temos a linguagem. Dele só nos resta uma linguagem: a escrita. E, dessa escrita, um livro: O caderno de [cem] sonhos de MGab.

Pensem num lançamento sem público em que os livros se venderam antes de chegarem à casa, pensem numa cortina do sonho que levou dez anos para ser bordada. Sonhem com um presente dado num dia feliz.

Foi assim o encontro que teve início no dia 23 de abril de 2022, para uma oficina de sonhos, o lançamento de um livro, a inauguração de um espaço: um nicho de escrita comum.

A Casa Tombada, em Bragança Paulista, reabre uma vez mais suas portas, as portas que nunca se fecharam. E recebe, na prática da hospitalidade, todos aqueles que se interessam pelo texto, pela leitura, pela escrita, pela arte, pela educação.

“De onde vem esta casa?” Talvez seja esta a pergunta que nos interpele, quando ainda estamos a caminho. Mas a pergunta sobre a origem, sabemos, não é aquela que mais nos interessa. “Para onde vai esta casa?” , pensamos, ao experienciar, em absoluta sobreimpressão, a sua força de presença.

E é Maria Gabriela Llansol quem, mais uma vez, nos aponta uma direção:

“como vireis viver aqui, faço-vos o desenho das Casas que vos esperam. Todas elas são Casas da Casa do Pinhal.

O núcleo-mãe é a Casa da Reconstituição.

Se o Grande Textuador Desconhecido vier, virá habitar na Casa da saudação. Os animais moram na casa deles, a Casa dos animais. As árvores, os arbustos, as flores, a erva, moram no jardim em volta. A Casa do silêncio é a parte mais recôndita da Casa da Reconstituição.

Os pontos cardeais da Casa do Pinhal são guardados por figuras que vos mostrarei.” (Os cantores de leitura, seu duplo da partícula 44, p.105).

*Fotos de Lucia Castello Branco  n’A Casa Tombada, em Bragança Paulista, nos dias 23 e 24 de abril de 2022, por ocasião da oficina “O sonho de que temos a linguagem”, do lançamento do livro O caderno de [cem] sonhos de MGab, e da inauguração do nicho de escrita comum, dedicado a Maria Gabriela Llansol.

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A luta cotidiana pelo fulgor: nuances

Ler lilás – Foto de Maria José Vargas Boaventura

Ler é constantemente um trabalho de levantar um acasalamento entre mentes e sementes que se põem em determinado sítio da terra com paixão. Vejo o perto no longe, enquanto no horizonte o que estava escrito descrito.

Aprender a leitura tem um método, mas não obedece a um método. Depende da infinita variedade dos livros, ou seja, da corrente que flui e nos mergulha nela. Ler é  a entrega e a aceitação de uma imagem. A leitura viva é o sinal dos tempos vivos. Grátis. Sem remuneração. De graça.

“O que é uma travessia senão um sonho de que temos a linguagem?”

Escute aqui, em leitura viva de Cristina Fernandes, a partícula 72 de Os cantores de leitura:

Ler o sonho – Foto de Lucia Castello Branco

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A luta cotidiana pelo fulgor: nuances

Foto de Ângela Castelo Branco

Abaixo dela _________ só o silêncio.

Acima dela  ______________ não há quem.

Eu vou tentar traduzir _________ em linguagem de canto humano

_________ o que Maria Gabriela Llansol me deu:

“a ressurreição não é um ato de potência divina, mas a suprema manifestação do amor. Dar a vida não chega, não é um acorde consonante com a substância. Ressuscitar, sim, é o acorde perfeito.”

Escute, aqui, a partícula 71 de Os cantores de leitura:

Foto de Maria José Vargas Boaventura

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A luta cotidiana pelo fulgor: nuances

Paisagem – foto de Maria José Vargas Boaventura

Escritificar é o noivo desejado pela imagem. Uma maleável ocasião verbal que regresse às pupilas, mas já reecontrado o seu intento. O pensamento esvoaçante das pupilas é a imagem/paisagem.

Apresento-me. Eu traduzo. Os olhos do tradutor tornam-se uma passagem.

Acompanhe, aqui, a partícula 70 de Os cantores de leitura:

Passagem – foto de Maria José Vargas Boaventura

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A luta cotidiana pelo fulgor: nuances

Instantes em instâncias 3 – foto de Daisy Turrer

___ Por que razão continuar sempre a ler?

(…) admito que o ler corrente é procurar um duplo. Seria narcísico se lêssemos sem esforço. Mero prazer de identificação, não achas? Mas, neste ler saudado pela Casa, eu identifico-me com a ansiedade amorosa da procura. O texto que leio ama-me? Ou não me ama? O que alcançarei quando atingir o seu sexo? O ligar ao prazer do meu, que é verdadeiramente __________

___ Deitado o livro sobre a minha cama, ou seja, os meus joelhos, a primeira pergunta que faço é “se ele está vivo”. Se sinto que me leva é porque leio “vivo porque caí no vivo”.

Alguém oculto escrevia, num lugar onde se queimam substâncias que, em breve, lhes daria a ler__________

__________ que as imagens pairantes na memória _____

acabam por chegar a um destino incorruptível.

Acompanhe a leitura da partícula 69 de Os cantores de leitura:

Instantes em instâncias 4 – foto de Daisy Turrer

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A luta cotidiana pelo fulgor: sutilezas

Massarandupió, Bahia – Foto de Lucia Castello Branco

Brancura final. Ter um anjo entre nós não é cômodo. Como se dão os anjos com as vacas, os búfalos, os esquilos e os pardais?

Não sou anjo ainda. Arrisco apenas hipóteses. Neste papel, transcrevo o que descubro: os mesmos e os diferentes. As imagens trazem-nos cartilhas para aprendermos a estudar.

O que cremos belo existe. O que queremos belo existe. A sonoridade é a mesma.

Escute aqui a partícula 68 de Os cantores de leitura:

Monte Serrat, Salvador – Foto de Lucia Castello Branco

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A luta cotidiana pelo fulgor: amigo e amiga

Dar como verdadeiro o que é – foto de Sabrina Ximenes

Afluência: corrida lenta, corrida de velocidade. Quase nada.

Ofereceu-lhe um angelim, árvore de madeira valiosa que tem por imaginário a eternidade.

Ele diz: “Sentirei a tua falta o resto da minha vida”.

Ela responde: “Estás com vontade de te aproximares de mim. Por uns instantes, deita-te aqui ao meu lado. Depois parte.”

Acorda. Para de bater o sonho. Procura a nossa companhia e deixa de cantar.

Acompanhe, aqui, a Partícula 67:

O arrebatamento – foto de Sabrina Ximenes

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