Sobreimpressões

Foto de Janaína de Paula

 

Em sobreimpressão do rio com o mar, chegam-nos estas imagens de Janaína de Paula, num cair de tarde em Santo André. Em sobreimpressão de paisagens, o mar, em silêncio, talvez nos ensine a  cultivar   a ausência:

O mar — confidencia–me — não tem esposa conhecida. Aprendo com ele a arte de cultivar a ausência.”

Assim recebemos a dádiva de um movimento incessante que instaura, num arco singular, a escrita e a leitura. E uma outra forma de corpo, em cor’p’screver:

“a primeira coisa que vê é a ideia de um Corpo existente em acto (…) e sabe que entregar-se à travessia é acompanhar-se a si própria                                        lentamente”

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Cadernos do exílio

Foto e trabalho de Lia Krucken, da série CoimbraBerlim

Em ressonância aos Cadernos do exílio, de Maria Gabriela Llansol, e em consonância com a CABRA — Casas Brasileiras de Refúgio, fundada no Brasil há um ano, com a assinatura do convênio entre a UFMG e o ICORN e a vinda, para o Brasil, do primeiro escritor exilado, abrimos hoje uma nova série em nosso fio de água do texto. Nela abrigaremos, em futuro autobiográfico, o movimento da  textualidade llansoliana (desde O livro das comunidades, em 1977) e outros movimentos de migração de textualidades, que testemunham, com Llansol, a “vocação do exílio” na escrita:

“Para mim, o exílio faz parte da escrita, e não quero perdê-los; dá-me o afastamento de pressões, a distância para poder ver sem entraves e imaginar…”

Assim, iniciamos a série com o convite para um evento, a realizar-se em futuro breve, no Rio de Janeiro. Ali se cruzam o exílio, as migrações, os laços culturais — a literatura, a psicanálise, a tradução, o cinema, o design,  as artes — numa experiência de sobreimpressões e encontros inesperados do diverso. Ali se encontrarão pessoas que vêm de lugares longínquos e gente do lugar, gente de outros mundos e os muitos mundos do mundo:

“Quem parte daqui? Quem regressa?” 

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Estético convívio

Foto de Lucia Castello Branco

Ainda em memória do mar, e celebrando o estético convívio, leia aqui a carta de Lucia Castello Branco a Cinara de Araújo e seus alunos, em evocação a Carta ao Legente, de Maria Gabriela Llansol, escrita há vinte anos, “para Lúcia Castelo-Branco e seus alunos” :  Cartaaomar.

Foto de Lucia Castello Branco

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Sobreimpressões

A travessia da noite — Foto de Lucia Castello Branco

Para chegar até o mar, seria preciso, antes, atravessar o rio. E ali reencontrar, na travessia da noite, aqueles que sempre estiveram junto ao texto de Llansol, em seu futuro autobiográfico: Mãe Marlene, Cynthia Barra, Janaína de Paula, Sylvie Debs, Cinara de Araújo e seus alunos.

Para voltar ao mar, seria preciso, antes, atravessar o rio. E ali reencontrar, na travessia do dia, as memórias do mar, na prática da letra que envolveu aqueles dois dias de trabalho, em Porto Seguro, e mais outros dois dias de trabalho, em Salvador.

Antes, Sylvie Debs já havia lido, como tradução para cidade-refúgio, o porto seguro. Depois, Cinara de Araújo haveria de afirmar a tradução como exercício infinito de aproximação do outro, para sempre outro. 

Mas a experiência, ali, no mar interior, não seria a de “perder-se no outro perdido”. Antes seria a de encontrar, enfim, um pouso onde o poema expandido e a paisagem fariam um ambo.

Em nome de um ramo que um dia atravessou o mar, chegamos, afinal, a algum lugar onde ele pudesse ser plantado, adubado, para que só depois,  florescido em poesia, pudesse enfim atravessar o dia.

A travessia do dia — Foto de Lucia Castello Branco

Prática da Letra: Memórias do Mar — Fotos de Daniel Durans

Mar Interior — Foto de Lucia Castello Branco

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Estético convívio

Antes, ainda, de acontecer, mas tendo já acontecido. Antes mesmo de rever o mar, mas tendo-o dentro de si, como movimento. Eis o que nos aguarda esta semana, em estético convívio: o seminário “Memórias do mar”, organizado por Cinara de Araújo e seus alunos, na Universidade Federal do Sul da Bahia, em Porto Seguro.

Ali teremos a presença de alguns que já acompanham o texto de Maria Gabriela Llansol há tanto tempo: Cinara de Araújo, Cynthia Santos Barra, Janaína de Paula e Lucia Castello Branco. Ali teremos a presença daqueles que, no futuro, de tão longe tão perto, estão a acompanhá-la: Sylvie Debs — com o projeto CABRA, as Casas Brasileiras de Refúgio — e Mãe Marlene, cantora de leitura, com seus orikis. Além destas amigas, tantos outros colegas — dentre os quais saudamos especialmente os alunos, legentes — “alguns que conheço, outros que nunca vi”.

Em viagem ao mar da Bahia, segue uma prática: a prática da letra. Em viagem ao mar da Bahia, segue um projeto: “Para que o romance não morra”. Em “memória do mar”, a restante vida — aquela que atesta, como queria Llansol, que “não foi o mar, mas o seu movimento, o que nos foi dado em herança”. 

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Notas de leitura

foto de Tatiane Souza

Notas sobre o amor. Talvez assim pudéssemos pensar estas notas de leitura, enviadas por Tatiane Souza e extraídas de Holder, de Holderlin, em sobreimpressão com os poemas do próprio autor.

Notas sobre o perdido amor? “Perder-se no outro perdido é a experiência que está a ter”, dizem elas, as notas.  Mas o amor está ali: “distante como a palma da mão”.  Ele, ” que nos faz curvar a todos para que passemos debaixo da sua lei “.

Notas, antes de tudo, “sobre o trabalho infindável de leitura”. Ler, no amor em fracasso. Ler, com as letras que despencam do próprio nome. Ler, no sem apoio que se apoia no sem apoio.

Mas ler, sobretudo, levando em conta o calendário em que “deve impor-se imediatamente a noção de noite”: a página branca sob o negrito das letras, a noite branca sobre a mancha negra na página.

Foto e composição de Tatiane Souza

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Notas de viagem

Notas de viagem,  de Clara Bois

Estas notas, enviadas de Los Angeles por Clara Bois como uma espécie de diário da fotógrafa, permitem-nos evocar Llansol.

Onde Clara lê o invisível, Llansol talvez escrevesse: “o desconhecido que nos acompanha”. E, em ressonância a seu gesto de “capturar o nada” e de inscrever o “vazio branco”,  Llansol talvez acrescentasse: “sabe-se que o Vazio não se apóia sobre o Nada”. 

“Quem há que suporte o Vazio?”– alguém indagaria.  “Talvez ninguém”, responderíamos, o “feminino de ninguém” que, invisível, insinua-se no pensamento destas imagens.



Fotos de Clara Bois

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