Companheiros improváveis

Foto de Jonas Samudio

O que podem ter em comum Maria Gabriela Llansol e Edmond Jabès? Talvez tão somente um curso de tinta.

O que têm em comum Arnaldo Antunes, Alice Ruiz e Maria Gabriela Llansol? Talvez a convivência, lado a lado, de um livro com sua quarta capa, um livro e suas orelhas. Talvez tão somente uma escrita que se abre à escuta dos movimentos silenciosos de um texto: um livro e suas margens.

E, afinal, o que têm em comum a noite belorizontina e o anoitecer no vilarejo de Sintra? Talvez aquela última luz de uma casa que enfim se apaga, numa cidade serrana, onde reina ainda uma profusão amarga de sinais. 

É o que nos dão a ver as belas imagens enviadas por Jonas Samudio para iluminar o texto caminhante de Tatiane da Costa Souza, que aqui damos a ler: PALAVRACAMINHANTE,

Fotos de Jonas Samudio

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Cas’a’screver expandida

Foto de Lia Krucken

Mais, ainda —  desdobramentos da oficina “Outras vidas do objeto”, ministrada por Lia Krucken, mais ao sul. Mais, ainda: Maria Gabriela Llansol, em Parasceve, em O livro das comunidades, em encontro inesperado do diverso. Mais, ainda: as páginas arrancadas dos livros antigos, recompondo textos, como a melhor forma de amor: “aquela que se abre para fora de si mesma”. Em ramo de escrita e imagens, em sutis sobreimpressões.

Obra de Fabiana Mateus, libertando “Römische Elegien”, de Goethe.


Outras vidas do objeto
Fotos de Lia Krucken

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O encontro inesperado do diverso

 João Rocha na (Pausa)Ler da Cas’a’screver –Foto de Claudia Itaborahy

“A Escola A Casa”. Parece que foi mesmo assim que se deram, por aqui, os encontros, celebrando o nascimento de Llansol: na Cas’a’screver, ontem, e ainda numa certa casa expandida, levada por Lia Krucken até mais ao sul, em Florianópolis, com sua oficina “Outras vidas do objeto”, inspirada também na textualidade de Maria Gabriela Llansol. 

Damos a ler, aqui, o impressionante texto em defesa das “comunidades inoperadas”, apresentado, ontem, por João Rocha, na Cas’a’screver: 

Há 86 anos (1)

E damos a ler, também, as belas imagens enviadas por Lia Krucken, de Florianópolis, como mais um registro de que Llansol aqui, neste país, ainda vive. E também mora e ainda demora, em sua maneira de conceber “A Escola A Casa” como um “encontro inesperado do diverso”, com sua força de “escavar vazios na cultura” e de nos manter “vivos no meio do vivo”.

Florianópolis — Foto de Lia Krucken

Outras vidas do objeto — Foto de Lia Krucken

Outras vidas do objeto — Foto de Lia Krucken

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Estético convívio

Interior da casa de Maria Gabriela Llansol, em Sintra, Portugal —  Foto de João Rocha

João Rocha, na (Pausa)Ler da Cas’a’screver — Foto de Claudia Itaborahy

Estivemos durante um tempo assim, pensando naquele nome tão íntimo e tão singular com que Maria Gabriela Llansol chamava a Escola da Rua de Namur: A Escola A Casa. Estivemos durante um tempo assim, na Cas’a’screver, nesta manhã de sábado, dia seguinte do aniversário de 86 anos de Gabriela, pensando n’O livro das comunidades como um nascimento: aquele de “animar uma escola”, como ela o descreveu. Estivemos um tempo assim, a escutar o texto límpido de João Rocha, que falava de sua experiência como jovem professor, atravessada pela leitura desse livro.

Antes, na véspera, na Universidade Federal de Minas Gerais, casa que abrigou e abriga ainda muitos dos que se encontravam ali, hoje, na Cas’a’screver, a festa também era a do aniversário de Llansol. Ali, nos dois cursos ministrados por Lucia Castello Branco, celebrava-se a textualidade de Llansol com trabalhos apresentados por alunos dos dois turnos — manhã e noite –, celebrando também os vinte e cinco anos de leitura desse texto, nessa instituição, e a despedida dessa professora dos cursos de graduação em que atuou, durante trinta e três anos.

Enquanto líamos que o Espaço Llansol inaugurava a sua nova sede, no Campo de Ourique, em Lisboa, realizando um dos últimos desejos de Llansol — o de retornar ao lugar de origem de sua escrita –, escutávamos os ecos de uma frase da escritora, trazida de volta por João Rocha, em seu retorno à Cas’a’screver: “É a minha casa, mas creio que vim fazer uma visita a alguém.”

Ali estava Llansol, fazendo a sua visita, como sempre esteve, em sua casa. E um de seus últimos desejos, aquele rabiscado a lápis em uma página de seu exemplar do I-Ching: o livro das mutações, aquele mesmo que ela guardava consigo, ao lado de seu exemplar da Ética, de Espinosa, na mesa de cabeceira do hospital em que esteve internada, um ano antes de vir a falecer, então se dava a ler: “viagem ao Brasil”.

Essa página de seu livro, como tantas outras de seu caderno, já deve ter sido arrancada. Mas nada foi ainda capaz de abalar a potência de agir e a força de existir desse corp’a’screver que chegou a Minas Gerais há vinte e cinco anos e aqui encontrou morada e ainda demora: na UFMG, na Cas’a’screver e nos corpos daqueles que se reúnem, em comunidade, a cada vez, de novo, à volta de seu texto.

Veja as fotos de ontem e de hoje e leia, amanhã, o texto de João Rocha. 


Foto de Jonas Samúdio

Foto de Lucia Castello Branco

Foto de Lucia Castello Branco

Foto de Lucia Castello Branco

Foto de Lucia Castello Branco

Curso “Maria Gabriela Llansol e o feminino de ninguém” —  Foto de Lucia C Branco

Curso “Diários da escrita” — Foto de Fabiano Ferraz Dantas

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Cas’a’screver expandida

Livros publicados pela Cas’a’screver

No último sábado, a Cas’a’screver esteve presente, com suas publicações, na C.A.S.A. (Centro de Arte Suspensa), para a feira de Cultura, Arte e Gastronomia. 

Temos trabalhado nos textos que nos chegam às mãos com desejo de livro, a partir de uma frase de Mallarmé — “tudo no mundo existe para culminar em livro” —  e sua dobra: “tudo no livro existe para culminar em mundo”. Ao trazer esses textos ao mundo, pensamos o gesto de composição do livro com o cuidado de quem deseja que os caminhos do mundo não se afastem demais da matéria figural que guarda, em sua linha, a restante vida, o desejo de vida e o desejo de mundo, tão bem formulados por Maria Gabriela Llansol:

                                                    “já que um livro, uma cidade e um jardim podiam                                             coincidir, havia que temer que os nossos caminhos não                                             divergissem — só me restava a matéria figural, que na                                               pena de quem escreve dissimulasse a peste que mata                                                 quem lê.”

Uma cidade, um livro, um jardim, lugares coincidentes pelo movimento de acolher o disperso no aberto de sua paisagem. O disperso na dispersão das imagens, abrigadas na pena de quem escreve. Nela resta a matéria da palavra, sua função criativa, “pois um ato é uma palavra” (Lacan), ponto no qual tocamos os limites da linguagem, “essa substância lenhosa da língua e que os antigos chamavam silva (floresta)” (Agamben). É com ela que se faz um livro, uma cidade, um jardim. Talvez porque a peste seja a exigência de reconduzir a matéria liberta da representação a um livro que almeje o todo, fazendo desaparecer a dispersão daquele que lê e deixa espalhadas sobre a mesa todas as letras do nome de Amor. 

E foi assim, no desejo de mundo e da liberdade da alma, que os livros foram recebidos nesse espaço que abriga o teatro, a dança e a arte, em suas mais variadas manifestações. Durante o encontro, sutilmente registrado pelo olhar de Camila Morais e Jonas Samudio, tivemos a oportunidade de escutar os relatos de Flávia Drummond Naves e Julia Panadés, sobre a experiência de composição dos livros Florarvore no jardim da solidão Por não saber fotografar um pássaro, editados pela Cas’a’screver.

Flávia Drummond Neves e Julia Panadés em “nicho frágil de escrita comum”

Flávia Drummond Naves e Julia Panadés

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O amor ímpar

Foto e composição de Maria José Vargas Boaventura

Pensar o amor, pensar o ramo. Querer o terceiro ramo ausente, a flor branca, ausente de todos os buquês, para compor, com rigor, o ramo lilás. Esta, dentre outras, a herança que recebemos de Maria Gabriela Llansol.

Esta, dentre outras, a série que hoje inauguramos neste blog, sob o título de “O amor ímpar”, com o belíssimo texto de Jonas Samudio, intitulado “O terceiro ramo ausente”, aqui situado como o terceiro dentre dois dos quatro ramos enviados por Maria José Vargas Boaventura.

Como um jardim que o pensamento permite, esta série que hoje inauguramos permite um pensamento de ramos sobre as várias ramificações do amor:        o amor à textualidade llansoliana, o amor ao livro, o amor à escrita branca, à língua sem impostura, ao absolutamente outro —  o amor ímpar. 

Assim começamos a celebrar o nascimento de Maria Gabriela Llansol, que se comemora neste mês de novembro: com o amor ímpar de um ramo lilás, que um dia nos chegou em carta, depois transformada em livro, o primeiro de Llansol publicado no Brasil: Carta ao Legente (BH: 2 Luas, 2000).

Leia, aqui, o texto de Jonas Samudio: O terceiro ramo ausente 

Foto e composição de Maria José Vargas Boaventura

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Cas’a’screver expandida

Foto Leandro Lopes — Vinicius Rezende

“Viver em liberdade: o artista em risco”. Este foi o tema das palestras proferidas por Sylvie Debs, Lucia Castello Branco e Félix Kaputu, em mais uma apresentação da Cabra-Casas Brasileiras de Refúgio, celebrando o convênio entre a UFMG e a ICORN, firmado no início deste ano.

Aqui celebramos também a amizade entre a Cabra e a Cas’a’screver, que sempre estiveram unidas, como “casas da casa do pinhal”:  a casa-refúgio e a casa da reconstituição. Entre as duas, o fulgor presente na textualidade de Maria Gabriela Llansol, como o atesta o breve texto apresentado por Lucia, em defesa da universidade pública, gratuita e incondicional, como “um abrigo na orla do bosque”.

Leia aqui o texto de Lucia Castello Branco: Por uma universidade

Foto Leandro Lopes — Vinicius Rezende

 

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