Cas’a’screver expandida

Livros publicados pela Cas’a’screver

No último sábado, a Cas’a’screver esteve presente, com suas publicações, na C.A.S.A. (Centro de Arte Suspensa), para a feira de Cultura, Arte e Gastronomia. 

Temos trabalhado nos textos que nos chegam às mãos com desejo de livro, a partir de uma frase de Mallarmé — “tudo no mundo existe para culminar em livro” —  e sua dobra: “tudo no livro existe para culminar em mundo”. Ao trazer esses textos ao mundo, pensamos o gesto de composição do livro com o cuidado de quem deseja que os caminhos do mundo não se afastem demais da matéria figural que guarda, em sua linha, a restante vida, o desejo de vida e o desejo de mundo, tão bem formulados por Maria Gabriela Llansol:

                                                    “já que um livro, uma cidade e um jardim podiam                                             coincidir, havia que temer que os nossos caminhos não                                             divergissem — só me restava a matéria figural, que na                                               pena de quem escreve dissimulasse a peste que mata                                                 quem lê.”

Uma cidade, um livro, um jardim, lugares coincidentes pelo movimento de acolher o disperso no aberto de sua paisagem. O disperso na dispersão das imagens, abrigadas na pena de quem escreve. Nela resta a matéria da palavra, sua função criativa, “pois um ato é uma palavra” (Lacan), ponto no qual tocamos os limites da linguagem, “essa substância lenhosa da língua e que os antigos chamavam silva (floresta)” (Agamben). É com ela que se faz um livro, uma cidade, um jardim. Talvez porque a peste seja a exigência de reconduzir a matéria liberta da representação a um livro que almeje o todo, fazendo desaparecer a dispersão daquele que lê e deixa espalhadas sobre a mesa todas as letras do nome de Amor. 

E foi assim, no desejo de mundo e da liberdade da alma, que os livros foram recebidos nesse espaço que abriga o teatro, a dança e a arte, em suas mais variadas manifestações. Durante o encontro, sutilmente registrado pelo olhar de Camila Morais e Jonas Samudio, tivemos a oportunidade de escutar os relatos de Flávia Drummond Naves e Julia Panadés, sobre a experiência de composição dos livros Florarvore no jardim da solidão Por não saber fotografar um pássaro, editados pela Cas’a’screver.

Flávia Drummond Neves e Julia Panadés em “nicho frágil de escrita comum”

Flávia Drummond Naves e Julia Panadés

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O amor ímpar

Foto e composição de Maria José Vargas Boaventura

Pensar o amor, pensar o ramo. Querer o terceiro ramo ausente, a flor branca, ausente de todos os buquês, para compor, com rigor, o ramo lilás. Esta, dentre outras, a herança que recebemos de Maria Gabriela Llansol.

Esta, dentre outras, a série que hoje inauguramos neste blog, sob o título de “O amor ímpar”, com o belíssimo texto de Jonas Samudio, intitulado “O terceiro ramo ausente”, aqui situado como o terceiro dentre dois dos quatro ramos enviados por Maria José Vargas Boaventura.

Como um jardim que o pensamento permite, esta série que hoje inauguramos permite um pensamento de ramos sobre as várias ramificações do amor:        o amor à textualidade llansoliana, o amor ao livro, o amor à escrita branca, à língua sem impostura, ao absolutamente outro —  o amor ímpar. 

Assim começamos a celebrar o nascimento de Maria Gabriela Llansol, que se comemora neste mês de novembro: com o amor ímpar de um ramo lilás, que um dia nos chegou em carta, depois transformada em livro, o primeiro de Llansol publicado no Brasil: Carta ao Legente (BH: 2 Luas, 2000).

Leia, aqui, o texto de Jonas Samudio: O terceiro ramo ausente 

Foto e composição de Maria José Vargas Boaventura

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Cas’a’screver expandida

Foto Leandro Lopes — Vinicius Rezende

“Viver em liberdade: o artista em risco”. Este foi o tema das palestras proferidas por Sylvie Debs, Lucia Castello Branco e Félix Kaputu, em mais uma apresentação da Cabra-Casas Brasileiras de Refúgio, celebrando o convênio entre a UFMG e a ICORN, firmado no início deste ano.

Aqui celebramos também a amizade entre a Cabra e a Cas’a’screver, que sempre estiveram unidas, como “casas da casa do pinhal”:  a casa-refúgio e a casa da reconstituição. Entre as duas, o fulgor presente na textualidade de Maria Gabriela Llansol, como o atesta o breve texto apresentado por Lucia, em defesa da universidade pública, gratuita e incondicional, como “um abrigo na orla do bosque”.

Leia aqui o texto de Lucia Castello Branco: Por uma universidade

Foto Leandro Lopes — Vinicius Rezende

 

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Cas’a’screver expandida

Foto de Claudia Itaborahy

Neste último sábado, a Cas’a’screver foi até o Ateliê de Psicanálise, em Ouro Preto, com a oficina ministrada por Janaína de Paula e Maraíza Labanca: “Rasgar num livro uma página estrategicamente aberta”. Do lado de lá, entre as nuvens densas e a chuva fina, as palavras de Llansol nos chegam como “dom de sombrear”,  em meio às palavras e imagens de Cláudia Itaborahy:

“a nuvem aconteceu com o encontro. escutamos poesias, escutamos a chuva, na alegria de poder respirar clarice, guimarães, llansol, herberto. com as janelas estrategicamente abertas, e as páginas também, passamos o dia, encontrando dicionários — o livro dos nomes — e sendo olhados por palavras, que nos liam e iam desenhando linha-texto-estrada. paisagem composta por viagens solitárias e silêncios longos, que transformaram o céu lá fora. imersos, o tempo mudou, as palavras viraram iscas, a chuva caiu até acabar. acontecemos em alegria, em composição de letras e surpresa, na cumplicidade de poder fazer juntos, em tempos como estes…

velar as janelas com um suspiro próprio                                                                           conceder às cortinas o dom de sombrear                                                                           pegar então num objecto contundente                                                                               e amaciá-lo com a cor”

 

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Sobreimpressões

O Começo de um livro é precioso

Celebrando o universo em expansão e o pensamento a alargar-se, recebemos as sobreimpressões enviadas por Maria José Vargas Boaventura, colhidas no jardim de sua casa, em Tiradentes, e tornadas aqui “o jardim que o pensamento permite”.

Fotos de Maria José Vargas Boaventura

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O encontro inesperado do diverso

Foto Camila Morais

Há algumas semanas, encerramos, na Cas’a’screver, o curso livre oferecido por Jonas Samudio, intitulado “Escrita e ressurreição”. Antes mesmo que o curso terminasse, e antes que o texto abaixo se escrevesse, deu-se mais um encontro inesperado do diverso, em torno da textualidade llansoliana. Desta vez, o encontro de Jonas Samudio com o padre José Tolentino Mendonça, amigo de Llansol e responsável por suas exéquias.

Alguns anos antes, um outro encontro dessa mesma ordem se dera, depois da morte de Maria Gabriela Llansol: através de um filme, encartado num livro, chegou às mãos de Maria Antunes, aluna de Llansol, uma fatia de seu passado. E, para nossa surpresa e alegria, constatamos, então, o que Gabriela já acenara, em um de seus livros: que as figuras provêm do futuro, de seu futuro autobiográfico.

É, pois, celebrando esses encontros — que atestam a força da escrita como ressurreição e a afirmação do que Llansol nomearia “o vivo” — que postamos o texto de Jonas Samudio, ao lado do belo registro de seu curso livre, onde se lêem, no caderno aberto, as palavras “leitura” e “compaixão”. 

Leia, com paixão, o texto de Jonas Samudio, em que Eufêmea escreve:           diz eufêmea que escreve (1)

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Estético convívio

Foto de Lucia Castello Branco

A primeira iniciação foi conduzida por Vania Baeta, com uma dobra oferecida por Janaína de Paula. A segunda iniciação, no próximo dia 10 de outubro, será conduzida por Janaína de Paula, com dobra de Vania Baeta.

Assim se desenha o curso livre ofertado por Vania Baeta e Janaína de Paula, na Cas’a’screver: “Iniciação ao pensamento psicanalítico: com Freud, Lacan e outras literaturas.” Tomando o texto como um início, como uma iniciação, o princípio, como não poderia deixar de ser, é rigorosamente llansoliano: “O começo de um livro é precioso”. E assim ele se desenvolve, a partir dos textos de Freud: “Efêmero”, “A Gradiva”, “O Estranho”, “Além do princípio do Prazer”.

As imagens, como sempre, registram a existência de “um nicho frágil de escrita comum”, no espaço que nomeamos, inspirados por Llansol, de (Pausa)Ler. E o texto de Vania Baeta, lido no primeiro encontro, em 12 de setembro, registra, mais que uma inspiração, um método llansoliano de leitura de Freud e Lacan: “tens que começar numa palavra”.

Leia, aqui, o texto de Vania Baeta: EFÊMERO LEITURA

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