Um vulto, um sobrenome

um vulto

um sobrenome

oficina de memória

para se perder

uma única coisa

a língua   __________  como em Celan

para se perder

as doze horas do sino

agravo em si bemol

um sobrenome

uma única coisa

o fingimento ____________ coisa como em o guardador de livros

um vulto

é preciso perder

o tempo ___ perder tempo

não há recibo, euro, tradução

gerações colidem entre nós

nossa colônia língua dos portugueses

mil e oitocentas naus abarrotadas de

escravos __________

sabíamos

no começo

explorações poéticas ao longo

dos séculos

e outro vulto

sem sobrenome

e outro vulto

outro vulto

é preciso perder

enxergar com os olhos

há criações descontínuas

centros vazios

mar sem cais

sem navios, sem porto

um resto de tempo

acoplado ______

às vezes brilhante

às vezes distante

às vezes fora do distante _____________ como em Hoelderlin

um resto de tempo

em que a cabeça

se vira lentamente

sem língua

outra dor – lembra-se?

um resto de tempo

recostada

e lá longe no céu

astros.

(Cinara de Araújo)

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