Um sopro

Quando li o nome “Alice Ruiz”, pensei: “tenho que lê-lo em voz alta”. Assim, articulado em todos os cantos da boca, dá para sentir e ouvir a música desse nome: um sopro. Ele é leve como um pássaro e não como uma pluma, como nos diz Calvino referindo-se à leveza, uma de suas seis propostas para o nosso milênio. Foi a leveza de um voo de pássaro, pois este  nos mostra, mesmo não sabendo bem para onde vai, uma direção, que a mulher com nome de sopro nos trouxe na oficina “Letra de música”, do Festival de Verão da UFMG. Passamos o carnaval ao pé da letra, no pé da letra de música. Alice nos trouxe total e deliciosamente a alegria envolvida em uma parceria: tantos encontros quantas composições houver. Esta, segundo ela, é a melhor forma de promiscuidade: a promiscuidade criativa que possibilita todo e qualquer encontro. “O encontro inesperado do diverso”. E nessa promiscuidade envolvida nas diversas parcerias que se pode fazer para se chegar a uma canção, lembro-me de Gabriela: “o dom é a única retribuição do dom”. Assim, nesse infinito do dom e das parcerias, não pudemos deixar que nosso carnaval terminasse em cinzas, pois o que parecia escutar a todo momento de Alice, de uma forma ou de outra, era simples como uma canção: “Eu vou te dar alegria”…

(João Rocha)

Anúncios
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s