A Literatura e o incurável

Lucia Castello Branco e Maria Antunes (Mesa-redonda de encerramento “A Literatura e o incurável”)

            Na Aula Inaugural que Roland Barthes profere no Collège de France, em 1977, ele termina por afirmar, após a elaboração cuidadosa do conceito de “escritura”, a existência e a resistência da literatura. Interessa-nos aqui, sobretudo, a “resistência”, termo que podemos articular diretamente à psicanálise, e que Barthes localizará no que chamou de “irredutível” da literatura: “ o que, nela, resiste e sobrevive aos discursos tipificados que a cercam: as filosofias, as ciências, as psicologias”.

            Aqui, neste contexto em que pensamos a literatura como um discurso que “se abre para fora de si mesmo” — já que, para Llansol, rigorosamente, “não há literatura” e já que o que buscamos aqui são justamente os pontos de abertura do literário que nos permitem articulá-lo à psicanálise —, cabe talvez, neste fim de um “breve encontro intenso”, pensar esse irredutível da literatura justamente como o que resta da operação de cura: o incurável.

            É pensando nesse ponto de incurável da literatura — ponto esvaziado de metáforas e de imaginário, “ponto de letra” — que trazemos aqui uma figura complexa de Maria Gabriela Llansol — o ambo — para dela nos servirmos como um método de construção deste texto. Lembremo-nos de que método é caminho e que, segundo a própria Llansol, o caminho não deve ser “marginal a nada”, mas “caminho transitável”.

            O ambo, distinto do casal e também da dupla, é uma figura que reúne dois elementos em conjunção/disjunção, como a beleza e o conhecimento, ou a liberdade de consciência e o dom poético.

            É, pois, como um ambo que reúne as vozes de uma legente de longa data — Lucia Castello Branco — e de uma personagem da história de Llansol, tornada, mais tarde, figura nascida do “futuro autobiográfico” do texto — Maria Antunes Tavares — que este texto se escreve. 

            Tendo estrutura de “ambo”, o movimento deste texto corresponde ao que Blanchot denominou de “conversa infinita”. Para pontuá-la, buscando produzir breves cortes intensos no infinito, trazemos a Carta ao Legente, que publicamos em 2000, através da editora 2 Luas, de Belo Horizonte, e que vocês têm agora, na íntegra, na sacolinha do encontro, e que poderão ler, infinitamente, mais tarde.

 

1 — “Falta-me uma flor branca para compor, com rigor, um ramo lilás”.

 

            Eis-nos diante do texto de uma carta que começa sob o signo da falta: “Falta-me uma flor”. Mais tarde, nessa mesma carta, a remetente escreverá: “alguém que colhe a flor que falta para que se acalme minha perturbação pessoal”.

            Então, de uma flor que falta nasce essa carta. Desse ponto de falta, a psicanálise certamente tem algo a nos dizer. Mas, mesmo o que a psicanálise tem a nos dizer – a falta que move o desejo – é ainda insuficiente – ainda falta – para alcançarmos o “sentido progressivo” dessa frase de Llansol.

            Pois, na abertura de um outro texto, um fragmento de seu diário 1, intitulado Um falcão no punho, de 27 de março de 1979, vinte anos, portanto, que essa carta se escrevesse, a escritora já havia assinalado que sua escrita nasce sob o signo da falta:

 

Confronto estes dias com o período final da minha adolescência em que sofria de uma doença ligeira de fadiga. Vinda do liceu, ou já em férias, só me restavam forças para, na imobilidade, ler, acrescentando-lhes o gozo ilícito do meu próprio corpo. Sob o signo da falta, eu gozava e lia e, agitando-me sem violência, nesta contradição fundava a escrita.[1]

 

 

                Eis-nos diante de uma cena de fundação da escrita. Aí vemos um corpo em seu gozo ilícito – um corp´a´screver —, uma “doença ligeira”, uma agitação sem violência e o signo da falta. Aqui, na carta, falta uma flor branca para compor, com rigor, um ramo lilás. A flor branca, destoante do ramo, é, no entanto, aquela que falta.

                Não há como não escutar aí uma ressonância do branco – um dos destinatários da carta tem o branco em seu nome, mas não há como não pensar também que essa flor que falta há de ser colhida, um dia, “para que se acalme minha perturbação pessoal”. A flor que falta aponta-nos para a cura, portanto. Mas sabemos também que é a “perturbação pessoal” – a agitação sem violência – o que reside na base da fundação da escrita.

                Algo dessa agitação pessoal, desse gozo ilícito, perdura, como o ponto de incurável dessa escrita. Um corp´a´screver: “só quem passou por isso sabe o que isso é. E que isso justamente a ninguém interessa”[2].

                Talvez tenha sido essa agitação sem violência que se acercou de Maria e lhe permitiu reconhecer, naqueles textos que ela escutava na voz de sua amiga, algo de estranho e familiar. Mas essa inquietante estranheza perdurou até que a amiga insistisse no que já se tornava impossível de não ver: “a sua Gabi, Maria, é Maria Gabriela Llansol”.

                Maria vivera muito perto de Llansol, dos dois aos sete anos. Na escola fundada por seu pai e por Augusto, marido de Llansol – “L´École La Maison”, como era chamada, ou “L´École de la rue de Namur”, como a conheceremos mais tarde, nos “Apontamentos sobre a Escola da Rue de Namur”, na segunda edição a  O Livro das Comunidades – ela aprendera a fazer e a comer o pão, ela aprendera a escrever e, mesmo antes de escrever, ela aprendera a falar nas duas línguas que lhe serviriam de abrigo: o francês e o português. “Maria aime parler” – diziam, na escola. Tanto que, mais tarde, um pouco mais tarde, curiosamente, ela se dedicaria à clínica de autistas, no trabalho de trazê-los à fala. Como Llansol, que localiza o nascimento de sua textualidade em O Livro das Comunidades, e que alia a experiência desse livro ao fato de ter conseguido trazer à fala uma criança autista.

               

Pergunto a Maria: que comunidade era essa, em uma escola estrangeira em que se ouvia o silêncio com a mesma devoção com que se fazia o pão? E em que medida o trazer uma criança autista à fala, pode ter, a seu ver, relação com a escrita de O livro das comunidades?

 

. Primeira imagem : uma paisagem belga – a neblina, uma estrada fininha com árvores nuas submetidas ao frio do inverno e, por detrás, um campo verde, revestido por uma poeira branca a perder de vista. Digo, então : “Não entendo isso. Parece a Bélgica e não Portugal !” Aparece, nesse momento, um guia, que vai apresentando os lugares em que Llansol e seu marido viveram. Ele também me parece familiar, mas não de Bélgica, de Belo Horizonte. Meu sentimento de estranheza cresce. A estranheza cresce em mim. Após um tempo, confirmo que a escritora viveu na Bélgica, mas continuo não reconhecendo meu guia. Digo “meu guia” porque, a essa altura, já embriagada pela escrita de Llansol, a estranheza de um roteiro belga tão familiar e uma atmosfera que me remetia a algo que não era só meu (mas que também era meu), isso me dava a sensação de estar sonhando acordada, estava sendo guiada por uma história de alguém desconhecido, mas num universo meu, não por ser a Bélgica, mas pela familiaridade dos objetos, dos lugares, das sequências, do ritmo, da sensibilidade.

De repente, fiquei no ar, ou melhor fora do ar. Vi minha escola, “L’École la Maison”, “L’École de ma rue de Namur”. Por alguns segundos, tudo parou. Tive a nítida impressão de voltar a um tempo que parou, um reencontro com algo tão íntimo, tão meu, aconteceu ; parecia estar lá no tempo real da “École la Maison”.

Estive, desde então, muito impactada, por Gabi ter tudo a ver com Llansol. A escrita me transmitia algo de familiar, me causava, relançava em mim uma dimensão de causa de desejo, de vida, que hoje posso dizer que é a marca que se deu no meu encontro com a Gabi.

Fiquei perplexa pelo momento em que as marcas desse encontro ressurgem em mim. Momento radical de minha análise, no qual havia de fazer algo com a minha travessia da fantasia : tratar do que se estrutura sobre uma perda radical e que tem a marca de um buraco sem fim.

O acontecimento do encontro com a escrita de Llansol, escrita que trata do que não pode se escrever, do real, se enlaçou com a marca de um encontro com a Gabi, que causou em mim um trabalho no tempo de “L’École la Maison” que colocou me em movimento, um movimento inventivo, de trabalho vivo, para tratar daquilo que me puxava para um buraco negro. Teria ela exercido uma função de analista ?

 

 

2 — “E deixá-lo [o legente], de novo, cair da memória, no fio de água do texto”.

 

            Aqui, depois desse movimento aparentemente biográfico – Maria, o que você tem a nos contar sobre isso? – deparo com esta frase de Llansol: “E deixá-lo, de novo, cair da memória, no fio de água do texto”. Sabemos que essa frase diz respeito ao legente. É preciso deixá-lo “cair da memória”. O que significa isso?

            Não podemos deixar aqui de retomar a leitura de O Jogo da Liberdade da Alma, com que abrimos este nosso breve encontro intenso. Eis-nos, aí, diante de uma “rapariga desmemoriada”. E esse rapariga, sabemos, pode ser lida como uma espécie de “cura” de Témia, “a rapariga que teme a impostura da língua”. Pois é Témia, aquela que lembra o “mau silêncio” em torno de seu irmão morto, aquela que jamais esquecerá: as palavras não são as coisas, a língua é uma impostura.

            Mas, e se nos esquecêssemos? E se uma rapariga desmemoriada, mais do que esquecida, viesse sobrepor-se – como na técnica da sobreimpressão – a Témia? Será que, nessa sobreimpressão, algo além do mero esquecimento – a desmemória —, mais próximo do que Nietzsche denominaria de “esquecimento ativo”, não ocorreria?

            Então, estamos diante de uma “rapariga desmemoriada” que nasce para “curar” Témia de seu sofrimento da língua, do sofrimento acerca da impostura da língua. Mas, observemos: ela não cura por acréscimo, mas por subtração. Em lugar de uma metáfora, ela oferece, à rapariga que teme a impostura da língua, a metamorfose: o vestido é chávena, é livro, mas é também vestido, no “fio de água do texto”.

            Esse fio de água remete-nos, é claro, a seu curso, o curso de um rio. E sabemos que esse curso, em Llansol, é não só a trajetória, a direção, mas também a disciplina, como se exige de uma escola. E uma escola como aquela – L´École La Maison – talvez tivesse mesmo o projeto de fazer do curso-disciplina o “fio de água” capaz de levar aquela pequena comunidade até certo ponto. Qual?

            É surpreendente como Maria é capaz de lembrar de tantas coisas, de tão tenra infância. Ela me diz que é “densa”, que “não esquece”. Lembro, imediatamente, da rapariga que teme a impostura da língua. E a rapariga desmemoriada aparece, para me lembrar do esquecimento ativo, da desmemória, da possibilidade – incerta, improvável, incurável – de “cair da memória, no fio de água do texto”. Maria observa, ao ler o livro em francês, que a rapariga desmemoriada é amemorieuse. E aí, no meio, lê, anagramaticamente, o amor. Isso imediatamente me põe a pensar no leitmotiv desse livro: uma rapariga diz a outra: “desejo encontrar alguém que me ame com bondade, e que seja um homem”. Na quarta vez em que esse leitmotiv se repete, ele assim se enuncia: “desejo encontrar alguém que me ame com bondade, e que saiba ler”.

           

Pergunto a Maria: como é agora, voltar a esse lugar já não há mais para encontrar o referente, mas, em seu lugar, um texto, e um texto fundador da textualidade: O Livro das comunidades? Como é voltar para lembrar, na operação mesma da desmemória,  um texto que propõe ao legente “cair da memória, no fio de água do texto”? Como é “tornar-se legente”, depois de ter sido figura, quando o que encontramos, em geral, é o processo oposto: o legente torna-se figura do texto? E o amor aí – amemorieuse – a chamar a desmemória e a propor que o legente – aquele que sabe ler – tome o lugar do amante?

           

Por detrás da imagem da fachada da minha escola, “L’École la Maison”, pude reconhecer uma luminosidade que atravessava os furinhos delicados das cortinas de renda nas janelas. As rendas e sua delicadeza se faziam também presentes para vestir a Gabi. Sempre muito elegante, com simplicidade vestia uma camisa de renda e, por cima, repousava um chale. Uma longa saia, quase até o chão. Podíamos ouvir o som de sua saia, quando caminhava pela casa.

Ouvir os sons. Isso aprendi com Gabi : ela fazia um atelier em sua sala, no sotão, no qual nos convidava a deitar nosso corpo no chão e, aos poucos, descobrir o peso do corpo se contrapor ao chão. E depois aprendi a escutar o silêncio. Escutar os ruídos e o que ia se destacando dos ruídos.

Havia muitos ateliers, materiais, e havia algo de comunitário, mas havia também lugar para as marcas de cada um. Lembro-me das histórias do “Cheval Pégase”. Passamos um ano lendo, reescrevendo a história do Cavalo Pégaso, pintando, desenhando num papel bonito e, no final, cada um tinha seu livro com desenhos e escritas suas e dos outros. Vinha numa caixinha-gavetinha fininha, de madeira pintada. A minha era rosa antigo e tinha, por cima, ramos de flores pintados a mão.

Fizemos então uma grande festa com todos da escola e os pais. Confeccionamos um Cavalo Pégaso lindo, todo azul. Nele prendemos muitos balões a gás coloridos e criamos uma música para desejar-lhe uma boa viagem. Foi mágico. Meu primeiro registro de algo mágico é o Cheval Pégase azul e seus balões, subindo, subindo, subindo, investido de algo de um trabalho vivo e desejante.

Os ramos de flores estavam presentes em jarras, pinturas, nos passeios em que colhíamos flores na floresta de Meerdael, nos campos.

Sinto saudades da sopa de urtiga que ela fazia em Jodoigne, quando eu pedia para ir visitá-la e dormir em sua casa. Era incrível engolir um líquido quente, soborosamente aveludado, sabendo que havia aí ramos inimigos que ardiam em nossas pernas, quando brincávamos no jardim. O cheiro do pão integral, que aprendemos a fazer com nossas mãos, se apresentava em sua casa e na “École la Maison”. Sua casa era a Casa-Mãe, depois tinha “A Escola a Casa”.Em sua casa também havia uma luminosidade delicada, que transpassava as cortinas de renda em cada janela. A presença dos gatos tornava a casa ainda mais carinhosa e elegante. Sua casa era a Casa-Mãe, depois tinha “A Escola a Casa”.

 

Nessas casas havia uma mulher.

Sua presença era um pouco de lado,

muito lá comigo, mas havia um espaço,

um espaço entre ela e eu

no qual ela causava,

colocava a trabalho algo curioso,

criativo,

que deixou em mim a marcar,

algo em movimento vivo

desejante

de escrita

 

3 – “Eu passei apenas pela escrita. Palavra feminina como eu”.

 

             E aqui, depois de passarmos pelo fio de água do texto, retornamos à escrita, “palavra feminina como eu”. Então, a escrita é feminina. Mas o feminino, para Llansol, não é o feminino do masculino, mas antes o “feminino de ninguém”. E sabemos que, para Llansol, a “paisagem é o terceiro sexo”, um sexo tão complexo quanto o do homem e o da mulher. E ela acrescenta: “É vital conhecer a paisagem”.

            Maria me conta que “reconheceu” Maria Gabriela Llansol em Gabi, através da paisagem. Primeiro as planícies, na Bélgica, depois os gatos, depois as cortinas, as rendas. As rendas das janelas das casas belgas, no filme Redemoinho-Poema, trouxeram de volta a atmosfera de Gabi, aquela que andava com blusas rendadas, sempre, e com sua saia longa, a fazer o barulho suave que anunciava sua presença. Leio, em Finita:

 

o pano de renda sobre a mesa, em casa de Cristina. Rosas, renda que liga as rosas. Talvez tenha sido isto, fazer renda, que eu primeiro tenha desejado. No seu lugar, comecei a escrever. Pressinto que, de novo, haverá um momento em que preferirei ter traçado esta textura, a ter-me envolvido com a escrita.

Por que não o fiz?[3]

 

 

            Aqui, nesta pergunta – “por que não o fiz?” – algo da falta, novamente, se enuncia. Também a renda, esse tecido construído por linhas em torno de um buraco, aponta para a falta estruturante, e também para o feminino, como já sugeriu Ana Maria Portugal, no texto “Bordaduras do Feminino”. Mas Llansol vai mais além: trata-se – e O Jogo da Liberdade da Alma o explicita – de um “feminino de ninguém”.

            Maria parece reconhecer a marca do feminino, nos textos de Llansol. E parecem ter sido essas marcas o que a ajudaram a fazer o encontro de Maria Gabriela Llansol com Gabi: as rendas. As rendas, podemos dizer, fazem parte da “paisagem llansoliana”, tanto quanto as árvores e os animais. E a paisagem, para Llansol, é o terceiro sexo. Então, quando leio que a escrita é “palavra feminina como eu”, devo lembrar, sempre, que esse feminino é um “feminino de ninguém”. Na mística vamos encontrar, esboçado, um desenho para esse feminino. “Deus e o gozo d´A mulher” – assinala Lacan. Mas parece-me que, ao propor que a paisagem é um terceiro sexo — o “sexo de ler”? —,  ao propor um lugar  feminino para a escrita – “feminino de ninguém” –, Llansol dá um passo além do “gozo da mulher”, pois aí, nessa paisagem, “_________o homem tem que renunciar ao poder, e a mulher ao homem” (JLA, p. 30).

            Talvez, então, entendendo, como na língua de Holderlin, que essa “renúncia” é também uma “tarefa”, possamos pensar que uma das tarefas da textualidade, ao propor que a paisagem é o terceiro sexo, é que “é vital conhecer a paisagem”, habitar esse lugar – o lugar de “uma emigração para um LOCUS/LOGOS, paisagem onde não há poder sobre os corpos” —, em que a mulher, renunciando ao homem, e o homem, renunciando ao poder, poderão enfim encontrar a escrita, palavra feminina de ninguém.

 

Maria, aqui já não lhe faço uma pergunta. Apenas peço-lhe, encarecidamente, que escreva, para que possamos apurar a cura – essa cura que não negligencia o ponto de incurável,  “a flor que falta” — o sonho que você teve, quando descobriu que Maria Gabriela Llansol era a sua Gabi. E, como é do sonho que se trata – “o sonho de que temos a linguagem” – proponho-lhe, como o fez a Gabi do sonho, que o escreva.

 

A descoberta de que a Gabi da minha infância era a escritora Maria Gabriela Llansol, levou-me a um encontro com Lucia Castello Branco. Após esse encontro, tenho um sonho : um sonho com a Gabi. Nesse sonho, encontrava com a Gabi : ela estava linda, luminosa, vestida toda de renda branca, seus cabelos negros contrastavam com a claridade da cena e já não estavam mais em uma longa trança. Eu dizia-lhe que tinha recebido um convite de Lucia Castello Branco para escrever sobre meu encontro com ela. Mas que eu estava morrendo de medo, porque eu não sabia escrever. Assim que eu estava dizendo isso para ela, dava-me conta de que queria escrever para Gabi e dizia-lhe que queria mandar-lhe uma carta para lhe contar das marcas que ela deixou em minha vida. Emocionada, fui tomada de uma imensa saudade. E aí Gabi, como se fosse me abraçar, me respondia : “Então, escreva”.

 

 

 

                                                                            

 


[1] LLANSOL. Um falcão no punho, p. 8.

[2] LLANSOL. O livro das comunidades, p. 10.

[3] LLANSOL. Finita, p. 35.

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