Fícus: para que nossos pés prossigam no júbilo dessa memória

Para aquela que desejava desenvolver-se não em termos de países, mas de “árvores com afinidades”; para aquela que um dia escreveu “porque quando me dou, não me quero deixar em testamento”; para aqueles que buscam apenas um detalhe na descrição, a palavra escrita para além das retificações, pois sabem que não é em termos de retas que corpo e pensamento deslizam,

                        colhemos, dos arredores da casa de Hilda Hilst, na Figueira que lhe faz sombra e luz, um ramo precioso:

 

Poemas aos homens do nosso tempo

 

VIII

 

Lobos? São muitos.

Mas tu podes ainda

A palavra na língua

 

Aquietá-los.

 

Mortos? O mundo.

Mas podes acordá-lo

Sortilégio de vida

Na palavra escrita.

 

Lúcidos? São poucos.

Mas se farão milhares

Se à lucidez dos poucos

Te juntares.

Raros? Teus preclaros amigos.

E tu mesmo, raro.

Se nas coisas que digo

Acreditares.

 

                                              Para o dia em que lemos: “nossa herança nos foi deixada sem testamento” (René Char) e em repúdio ao dia 09 de março de 2012.

 

Créditos:

LLANSOL, Maria Gabriela. Contos do Mal errante. Lisboa: Assirio & Alvim, 2004.

Hilst, Hilda. Júbilo, Memória, Noviciado da paixão. [organização Alcir Pécora]. São Paulo: Globo, 2003. 

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