Por que amo Llansol

                                                                  por paulo de andrade

    (duas partes iniciais de um poema, ainda inacabado, para Maria Gabriela Llansol)


                                                                Sob o lápis

 

“A quem vou escrever esta carta”, perguntei,               “enviar esta pergunta que dilacerei com o sumo da minha boca?”

“Falas de saliva?”, inquiri em voz alta.

“Sim, de saliva”, respondeu-me: — O sumo perdido do amor.

 

Maria Gabriela Llansol

 

vagamundo

 

tropeça no passo como um lance

de dança — em meia-

ponta os pés

                               erram o passe:

cair

de dados da viagem

 

pé da letra, pé

na estrada —

               a caminho: parado

no lajedo de turfa e sombra

ele espera             por tudo que a vida

                               pode dar, dará —

palavras.

 

“amigo, as cartas

só não chegam a seu destino”

 

“amiga, a vida

é cortada cerce”

 

 

vide

 

tímido veio de pedras:

                        há algo que foge

                        pelo tapete de musgos

 

(ele pensa que seu rastro marcará

o corpo da água

como em um rosto de areia)

 

vinha tímido incongruente

ver

 

uma mulher e                     outra              mulher

juntas

no ato devoluto de escrever

 

“eu te aprendo a

ler                   pelo lápis”

“eu, pelo

raio

que se desprende

            do lápis —

 

cordão que permanece”

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