Por que amo Llansol

De dentro da bacia de prata carregava a tinta azul que encobria meu rosto matriz

 

a impregnar lençóis brancos, a parede branca e o outro que encontrasse. Uma mancha desforme impressa. Borrão azul e identidade.

 

Llansol ofereceu-me uma toalha dizendo: Limpa a tua face.

 

Eu disse-lhe: não é chegada a minha hora.

 

Há uma única diferença entre o beijo e o poema.  O beijo pode ser dado mais tarde,

O poema                                                           . É de hoje que se trata.

 

do aparato dentário para a mordida, que contenha o quente do suor.

da palavra escolhida na palavra herdada, do anúncio nos olhos da denúncia,

a confiar-se numa fina abertura do tecido mesmo no imenso da terra.  deste sim. em pequenas letras,

que traz para perto do corpo o animal a nascer.

Só o encontro escreve poemas,

dá forma ao abraço do aéreo,

e ao beijo de amanhã.




                                                                       por Angela Castelo Branco

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