Conversas com Llansol

Belo Horizonte, 8 de novembro de 2012.

Breve comentário sobre o livro Europa em sobreimpressão: Llansol e as dobras da história.

por João Rocha

Acabo de ler o livro Europa em sobreimpressão: Llansol e as dobras da história, organizado por João Barrento (2011). A obra é composta de vários textos sobre Maria Gabriela Llansol, dois textos da autora e de algumas traduções feitas pelo organizador. O livro dedica-se à noção llansoliana de “sobreimpressão”, que, na referida obra, parece ser tratada como uma espécie de revisão, de análise ou, como sugere João Barrento em um de seus textos, uma re-visão, uma leitura (aqui vista como análise) da história da Europa. A obra quer mostrar ao leitor, sobretudo nos textos assinados pelo organizador, como Maria Gabriela Llansol faz uma análise, uma leitura, uma revisão da história da Europa em sua obra (aqui recortada, principalmente, nas suas duas primeiras trilogias: “Geografia dos Rebeldes” e o “Litoral do mundo”). A Europa em sobreimpressão, então, nada mais é que a história da Europa revista, relida, analisada em suas dobras por Maria Gabriela Llansol.


Várias questões abordadas no livro me chamaram atenção, porém a mais inquietante já encontro no texto de apresentação, intitulado “Um meta-realismo”, de José Manuel Durão Barroso. Essa questão perpassa vários textos do livro e, para torná-la evidente, transcrevo o terceiro parágrafo do texto de Barroso:

“Mas a escrita de Maria Gabriela Llansol, tal como seu percurso pessoal, o seu ‘desmundo’, extravasa o perímetro nacional e da língua portuguesa. A sua literatura é verdadeiramente europeia e só pode ser compreendida enquanto constante diálogo com outros autores, como Espinosa, Hölderlin, Nietzsche, com outras formas de arte como a música de Bach ou com outros referenciais geográficos como Bruges ou Münster, como fica sublimemente registado no Livro das Comunidades ou nas páginas dos seus diários” (p. 7).

Detenho-me, por enquanto, somente nesta frase: “A sua literatura é verdadeiramente europeia”. Essa pequena frase, dita de forma tão displicente, vela, na sua aparente banalidade – pois nada mais comum do que o desejo de rotular, de assentar o que é inconstante, o que é puro devir –, um perigo: o perigo de, por força da banalidade dos rótulos, acreditarmos que a literatura de Maria Gabriela Llansol é verdadeiramente europeia. Ao ler tal afirmação, indaguei-me imediatamente: “como pode ter nação o que não existe?” Refiro-me, aqui, ao fragmento emblemático de Um falcão no punho: “Não há literatura. Quando se escreve só importa saber em que real se entra e se há técnica adequada para abrir caminho a outros” (Um falcão no punho, 55). A literatura pode ter uma nação que a acolha, que a acomode, que a sedimente, mas, no texto de Llansol, como vimos, não há literatura, há “um animal chamado escrita” (Causa amante, 160). E esse animal não tem pátria, nem nação. Muito menos carrega uma verdade, uma única verdade: o de ser europeu. Esse animal é múltiplo. Não é verdadeiramente nada. Ele é. Erra pelo mundo sem pouso, sem porto, pois sua natureza é a da violência das tempestades e da força dos mares. Não pousa, não aporta em parte alguma, hospeda-se, quando encontra um corpo que recebe, da maneira que for possível, toda sua força. Entramos no campo da hospitalidade. Aqui, não se recebe o conhecido, aquele do qual já se sabe dos gostos e desgostos.

João Barrento, no texto “As três noites: Llansol e o misticismo ibérico”, que também compõe o livro Europa em sobreimpressão, diz que a postura da hospitalidade, segundo Derrida e Jabès, anula o estatuto de “estrangeiro” e funda uma “política da amizade”, e este é “o gesto que permite a circulação do fluxo vital e da energia própria aos textos de Maria Gabriela Llansol” (p. 65). Penso alto: se a hospitalidade serve à comunidade de figuras llansolianas, por ser uma postura que anula o estatuto de “estrangeiro” e funda uma “política da amizade”, segundo Barrento, quer dizer que essa comunidade é feita de semelhantes, confrades, isto é, europeus? Como é europeia a literatura de Maria Gabriela Llansol? Ouçamos o que diz Derrida sobre a hospitalidade:

“O hóspede absoluto é esse que chega para o qual não há nem mesmo horizonte de espera, esse que, como se diz, fura meu horizonte de espera ao passo que não estou preparado nem mesmo para receber aquele que vou receber. É isso a hospitalidade. A hospitalidade não consiste simplesmente em receber o que se é capaz de receber. Lévinas diz em algum lugar que o sujeito é um hóspede que deve acolher o infinito para além de sua capacidade de recepção: isso quer dizer que devo receber ou que recebo lá onde não posso receber, lá onde a vinda do outro me excede, parece maior que minha casa: ela vai colocar a desordem em minha casa, em meu Estado, em minha nação. O que chega então não fará acontecimento senão ali onde não sou capaz de o acolher, onde eu o acolho, precisamente, lá onde eu não sou capaz disso. A chegada do que chega é o outro absolutamente que cai sobre mim. (“Uma certa possibilidade impossível de dizer o acontecimento”, p. 241)”

Lendo as palavras de Derrida, não vejo, como diz João Barrento, a anulação do estatuto de estrangeiro, pois o que se afirma na hospitalidade é, justamente, a possibilidade do impossível: acolher o outro. Assim, nessa possibilidade impossível, consigo ver a comunidade formada pelas figuras llansolianas. Figuras sempre vindas do futuro, pois são sempre do campo do outro. O que as reúne não é o fator da identidade, da semelhança, já que muitas delas são figuras históricas e europeias. Não, esta não é uma comunidade europeia, pois cabe lembrar que fazem parte dela animais, plantas, quimeras, tanto quanto frases, como “este é o jardim que o pensamento permite”… Por isso mesmo, uma comunidade formada por figuras que têm como experiência singular a hospitalidade, ou seja, o acolhimento, no seio de sua casa, daquilo que lhe é mais distante, daquilo que lhe é completamente inesperado, que não tem lugar algum, daquilo que lhe é mais estranho (unheimlich), só pode reunir “absolutamente sós”: “trabalhar a dura matéria, move a língua; viver quase a sós atrai, pouco a pouco, os asolutamente sós” (Finita, 72).

Dessa maneira, pensando nessa comunidade dos “absolutamente sós”, não compreendo bem outra afirmação de João Barrento, em outro texto que compõe o livro Europa em sobreimpressão, intitulado “Os filhos do nada: rebeldes, visionários, iconoclastas”. Logo no primeiro parágrafo, lemos:

“Na infinita série de reais que, sem limites de fronteiras nem de preconceitos, num painel imenso e com uma visão amplíssima, compõem o mundo na Obra de uma escritora estrangeira na literatura portuguesa, como foi Maria Gabriela Llansol, um desses reais é, na fase inicial da sua Obra, o da História. Da história europeia e das suas contradições e becos sem saída, e também – mais do que qualquer outro escritor português – da história da cultura alemã. Ou melhor: de uma linhagem iconoclasta e visionária, de uma dinastia de vencidos que se perfila como linha promissora, mas sempre reprimida por toda a espécie de poderes, de uma afirmação, sempre adiada, do humano na história europeia e alemã (p. 89)”.

O crítico, aqui, refere-se às figuras llansolianas que habitam principalmente as duas primeiras trilogias da autora, como Nietzsche, Müntzer, a cidade de Münster, a batalha de Frankenhausen, que são de origem alemã. Mais tarde, ele fala “de uma reconstituição figural da história da Europa e da Alemanha modernas” que se faz na obra de Llansol pela “via de uma cultura da memória” (que permite recriar comunidades vivas), e não de uma cultura da história (que se limita a registar o que está à vista no palimpsesto do tempo)” (p. 89). E é nessa via da reconstituição figural da história, na tentativa benjaminiana de “ler o que nunca foi escrito”, que se encontra o projeto de revisão da história de Llansol, segundo Barrento, isto é, a sombreimpressão.

Gosto dessa ideia de Benjamim de contar a história do ponto de vista dos vencidos, isto é, dos escritos jamais lidos. E, por isso mesmo, por me fascinar por esses restos, por essa “restante vida”, não compreendo bem quando João Barrento utiliza o termo “cultura”, mais precisamente, “cultura alemã” para se referir à origem de certas figuras. É claro que sempre se pode falar da influência de diversas culturas na obra de Maria Gabriela, incluindo a alemã. Porém, creio que o mais importante para o processo de sobreimpressão é o aproximarmos do campo da singularidade, pois não o vejo como um processo de revisão, de reconstituição da história, mas, antes, como uma aproximação entre corpos, humanos ou não, textos, paisagens. E, desse encontro, restam, nos corpos, nos textos, nas paisagens, marcas indeléveis que são sempre do campo do outro, do hóspede absoluto, desse “animal chamado escrita”. Assim, parece-me menos interessante aproximar o texto llansoliano de termos que pressupõem uma ideia de grupo, uma identidade – como, por exemplo, “literatura portuguesa”, “cultura alemã” –, dando-lhe, portanto, um caráter mais apaziguador, a aproximá-lo ao campo da singularidade radical de um sujeito que tem como função hospedar o infinito. É dos sujeitos que fazem dessa hospitalidade uma tarefa séria, por vezes maior que suas próprias vidas, que a comunidade dos absolutamente sós é formada, e não por indivíduos pertencentes a um grupo. A comunidade llansoliana é formada pela experiência radical e singular de cada um e não pela semelhança, pelo fato de pertencerem a grupos identitários, como “a cultura alemã” ou “a história europeia”. Mas como pensar, então, a questão da identidade em um espaço tão singular?

Sobre a identidade dessa comunidade figural, creio que não a podemos pensar sob a égide do espelho, isto é, da semelhança. Para entrar nessa questão, é preciso “sair da história e ir viver no mundo de seiscentos milhões de anos” (Na casa de julho e agosto, 19). Só consegui pensar na questão identitária da comunidade dos absolutamente sós, a partir da leitura de A inconstância da alma selvagem, do antropólogo carioca Eduardo Viveiros de Castro. No capítulo “O mármore e a murta: sobre a inconstância da alma selvagem”, Castro discute o problema da descrença do cristianismo, no século XVI brasileiro, sobretudo nas comunidades indígenas. Ele começa seu raciocínio citando uma página do Sermão do Espírito Santo, de Antônio Vieira, o qual ilustra muito bem o que chamará de inconstância da alma selvagem:

“Os que andastes pelo mundo, e entrastes em casas de prazer de príncipes, veríeis naqueles quadros e naquelas ruas dos jardins dois gêneros de estátuas muito diferentes, umas de mármore, outras de murta. A estátua de mármore custa muito a fazer, pela dureza e resistência da matéria; mas depois de feita uma vez, não é necessário que lhe ponham mais a mão: sempre conserva e sustenta a mesma figura; a estátua de murta é mais fácil de formar, pela facilidade com que se dobram os ramos, mas é necessário andar sempre reformando e trabalhando nela, para que se conserve. Se deixa o jardineiro de assistir, em quatro dias sai um ramo que lhe atravessa os olhos, sai outro que lhe decompõe as orelhas, saem dois que de cinco dedos lhe fazem sete, e o que pouco antes era homem, já uma confusão verde de murtas.”. (p. 183-184)

Ao mármore, Vieira vai aproximar a cultura europeia que, nas questões da catequização, uma vez convertida (mesmo que para isso esbraveje, argumente, guerreie), uma vez moldada, permanece na dureza, na constância, como uma estátua de mármore. Já a cultura ameríndia, como a murta, é puro movimento, é puro devir. O que lhe é próprio é a inconstância, pois, com a mesma facilidade que os índios pareciam acatar os ideais do cristianismo sem criar nenhum tipo de problema, eles o abandonavam, sem que se pudesse ver qualquer sinal de arrependimento e culpa, noções tão caras ao cristianismo. O que move essa sociedade da murta, segundo Viveiros de Castro, é sua relação com o fora: “O outro não era um espelho, mas um destino” (A inconstância da alma selvagem, p. 220). A identidade dessas comunidades, que se utilizavam do canibalismo como preservação e perpetuação do seu povo, baseava-se no outro, o outro era seu destino: “tratava-se, em suma, de uma ordem onde o interior e a identidade estavam hierarquicamente subordinados à exterioridade e à diferença, onde o devir e a relação prevaleciam entre o ser e a substância. Para esse tipo de cosmologia, os outros são uma solução, antes de serem – como foram os portugueses – um problema. A murta tem razões que o mármore desconhece” (A inconstância da alma selvagem, p. 220-221).

Vejo a comunidade dos absolutamente sós assim: como a murta, sempre em devir. Não persiste muito tempo em um modelo, pois logo muda de forma. Uma comunidade sempre em metamorfose. E aí, nesse movimento inconstante da murta, vejo o movimento da sobreimpressão, mas não pensada como uma revisão ou uma reconstituição da história, e sim como um caminho, “sem país em parte alguma” (Finita, 72), em direção ao outro, em direção à singularidade, em direção à poesia.

Nesse caminho em que a sobreimpressão anda a passos largos em direção a um “animal chamado escrita”, esbarro, novamente, com o texto de apresentação de José Manuel Durão Barroso, que diz: “’Sem país em parte alguma […]’ (Finita, p. 72), mas decididamente portuguesa – nenhum de nós consegue realmente ‘escapar’ ao peso e densidade de nosso país – Maria Gabriela Llansol faz decididamente parte de uma multivivência europeia, instintivamente, existencialmente europeia. E, através da sua escrita – do mais belo que alguma vez se viu em Língua Portuguesa –, Llansol afirma a Literatura como valor universal (p. 8).”

Leio demoradamente cada uma de suas linhas. Leio demoradamente os termos “decididamente portuguesa”, “peso e densidade de nosso país”, “multivivência europeia”, “instintivamente, existencialmente europeia”, “Literatura como valor universal”. Leio devagar e vago, divago. E depois digo baixinho: “Não, não poderei tomar esse caminho”. Ando mais um pouco e encontro outras linhas. Encontro, no mesmo livro, outro caminho. Persigo as linhas de fuga do texto “Hölderlin em Llansol? Da poesia como singularidade”, de Silvina Rodrigues Lopes, e caminho, pensando com ela: “quanto à singularidade da poesia, ela é o que perturba os processos de universalização enquanto processos de significação.” (p. 146).

Assim, termino esta conversa com a singularidade da leitura. Leio, em voz alta, de qualquer lugar do mundo, leio para quem puder ouvir, sem “país em parte alguma”, estes três fragmentos de Llansol, hoje sobreimpressos ao grão da minha voz:

“[…] não desejava desenvolver-me em termos de países, mas de árvores com afinidades; parece-me errado que digam que sou portuguesa, como me parece uma falta que o não digam; eu prefiro, para cada ser, uma detalhada descrição de atributos singulares, exactamente como se descreve uma cena fulgor” (Contos do mal errante, p. 99)

“Onde está a comunidade? A comunidade silenciosa cuja face são os viventes meditativos e a que eu desejaria pertencer? Não está em nenhum sítio. Por que nasci aqui, na Europa, e não na África ou Ásia? Uma comunidade visionária, discreta, itinerante. […] Nascida portuguesa, quem são os meus parentes? De portuguesa, vim para a terra belga. E há a Alemanha de Nietzsche, a França de Proust,a Flandres de Hadewijch ______ Alguém vem também do Oriente e para o Oriente me leva” (Livro de horas 1, p. 129-130).

“[…] sinto-me como alguém que viaja em país estrangeiro, por não me sentir, de modo algum, ligada a uma nação. Na Bélgica, sinto-me menos em terra alheia talvez por que está explicito que nenhum laço de origem política me liga a este país. Sem país em parte alguma, salvo no vazio em que me dei a uma comum idade. Comum idade real por imaginária, e imaginária por verdadeira. A escrita, os animais, fazem parte dessa orla, e são tais seres excluídos pelos homens, que eu recebo.
Trabalhar a dura matéria, move a língua; viver quase a sós atrai, pouco a pouco, os absolutamente sós”. (Finita, p. 72)

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Referências Bibliográficas

BARRENTO, João (org.). Europa em sobreimpressão: Llansol e as dobras da história. Assírio e Alvim/Espaço Llansol: Lisboa, 2011.
CASTRO, Eduardo Videiros de. A inconstância da alma selvagem. São Paulo: Cosac e Naify, 2002.
DERRIDA, Jacques. “Uma certa possibilidade impossível de dizer o acontecimento”. Cerrados: revista do programa de pós-graduação em literatura, Brasília, Vol. 21, N. 33, p. 229-251, 2012.
LLANSOL, Maria Gabriela. Causa amante. Relógio D’Água: Lisboa, 1996.
LLANSOL, Maria Gabriela. Contos do mal errante. Assírio e Alvim: Lisboa, 2004.
LLANSOL, Maria Gabriela. Finita. Assírio e Alvim: Lisboa, 2005.
LLANSOL, Maria Gabriela. Na casa de julho e agosto. Relógio d’água: Lisboa, 2003.
LLANSOL, Maria Gabriela. Uma data em cada mão: livro de horas 1. Assírio e Alvim, 2009.

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4 respostas para Conversas com Llansol

  1. maria ines de almeida disse:

    João, gostei muito de ler seu texto, porque coloca em pauta o fato de que um texto forte não fecha, mas abre a leitura para seu desconhecido. E que a sobreimpressão é justamente o que se tem ao se recusar a ideia de origem. Daí que a postura de matriz tupi do “meu destino é ser o outro”, que dá sentido à vingança, às guerras, à devoração (as formulações do Viveiros, assim como as de Oswald, se apoiam também no relato de Hans Staden), é capaz de produzir o texto em sobreimpressão. O movimento é de saque e abandono: tipo “só me interessa o que não é meu”. bjs. ines

  2. Vera Valadares disse:

    Ei João, que bom este texto !! Claro e límpido como um fio da água… sólido como um carvalho,,,ou Rocha ! Bjo, saudades, Vera Valadares

    • Lucia Castello Branco disse:

      Sim, Vera, verdade, seu comentário me faz lembrar a frase de Llansol: “O devir de cada um está no som de seu nome”… Beijo, saudades. Lucia

      • rafael gamboa disse:

        Sim, ainda hoje citei uma vez mais, porque sao vezes sem conta o quanto cito verbalmente, por voz ” O DEVIR DE CADA UM ESTA NO SOM DO SEU NOME”, a gente comum, que sabe la quem e GABRIELA LL…
        quanto ao conceito de sobreimpressao, eu vivia-o e vivo exactamente no cerne do meu corpo/mente, ou seja, enquanto realizo determinadas tarefas quotidiana, ha memorias de outros lugares/paisagens/seres/textualidades outras, vividos e experienciados que se sobrepoem, numa especie de aproximaçao irredutivel, aos actos maias banais, e ai numa simulaçao de levitaçao, pode alcançar-se uma experienciaçao mental de sobreimpressao, um quasi que estadio ubiquo, que nao convoca de todo a historia (essa ideia colidiu comigo e desagradou-me), antes sim seres rebeldes e errantes, anonimos quanto baste. furibundos, em luta constante, como a de hoje, revendo-nos nos “intelectuais/literatos” no verve de figuras que o texto literario convocou e das quais, figuras, estamos proximos.

        esta polemica que ainda nao entendi bem, talvez seja positiva, para abrir espaço de debate e combate a tantos outros atravessados pela textualidade llansoliana.

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