Arquivos do Mal Errante

No curso do segundo semestre do ano de 2012, ministrado por Vania Baeta, os colaboradores da pesquisa, agora renomeada, “Palavra em ponto de dicionário: a prática da letra em trabalho de citação”(CAPES-PNPD/FALE-UFMG), dedicaram-se à procura de um método justo, que tivesse o dom de guiar a escrita de um dicionário. Trata-se da elaboração de um dicionário de citações de Literatura e Psicanálise, cujo escopo é a potência da letra e a loucura da palavra. O tratamento dado às questões levantadas foi sofrendo a direção do desejo, da mão estendida, do olhar atento, do ponto cego. Em clave de mal de arquivo, com Derrida, a chave nas mãos de Lacan, a ave no punho de Llansol. Brincamos, nós pesquisadores, subvertendo a pesquisa com o pintor e o psicanalista, que já haviam afirmado: “eu não procuro, acho”……..e os achados vieram, o ano novo também. Com eles, recebemos as cartas, as mensagens aladas de anjos nenhuns, e, dentre elas, uma de Fernanda Araújo, infinitamente luminosa, suficientemente opaca. Transcrevemo-la a seguir:

Caros amigos da turma “palavra em ponto de dicionário”,

envio-lhes, como inspiração para o ano que se inicia, um fragmento do livro Os cantores de leitura, de M.G. Llansol, que diz sobre certo método de aprendizado de leitura, certa “chave” de ler. Encontrei-o, por puro acaso, enquanto folheava esse livro (en)cantado, e saltou-me aos olhos a palavra “método” referida por Llansol. Achei tal fragmento muito pertinente ao nosso trabalho de citação e às discussões das nossas últimas aulas. Ei-lo:

“seu contexto: aprender a leitura tem um método, mas não
obedece a um método. Depende da infinita variedade dos livros,

ou seja, da corrente que flui, e nos mergulha nela – seja qual for

o seu suporte. O écran, o ar, a cena, tudo me lembra a página.

Quando a lembrança dessa página se esbater, uma matéria complexa,

sem síntese, virá perturbar-me os olhos. Recorrerei à voz

para acalmar esse silêncio, que transparece – mudo. Recorrerei

ao canto que seleccionará, para a emissão de voz, tão duros materiais.

 

– Amor meu, a invenção constante é uma ave plena.

Mas eu não sei para que ave me dirijo.

(LLANSOL. Os cantores de leitura, p. 185)”

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