Conversas com Llansol

O Curso d’O Fio de Água do Texto

“Na Casa de Julho e Agosto”, há um partir sempre iminente – inicialmente, uma dispersão por várias casas (a partir da casa de Plantin-Moretus, na Antuérpia) e figuras errantes (figuras do pobre) e, depois, uma viagem com fins de adquirir um “original que deve ser editado nessa tipografia”, pelas nascentes do Tigre e do Eufrates.

“Tejo-rio não estava com esses rios,
ou seria Tejo-rio o perseguido?”

Junto a nascente do Eufrates, do Eu e de outros rios: “Alice, que veio comigo, é como um fio que me ligue a vós. Uma gota de água, outra gota de água, outra gota de água. Sempre desejei as Mil Palavras para exprimir com rigor o princípio deste rio. Uma loucura tão atenta e visionária é um dom munificente (…) Tejo-rio, na sua sombra, não se move. Quando lhe pergunto pelo lugar do nascimento dos rios, incluindo o Tigre e o Eufrates, responde-me que deve perigar minha razão pois os rios não nascem,
brotam nos seus símbolos”.

Na topografia das palavras, o fio de água se segue “numa distância que se desconhece, produzindo como efeito o desconhecimento da distância, a ignorância que permite a possibilidade de estar a frente de um texto” – segundo Silvina Rodrigues Lopes – e parte e perde-se:
“perder-se no outro perdido é a experiência que está a ter”:

“No decurso da inundação, Plantin diria ‘au fil de l’eau’, nossas gatas pereceram, e meu rosto deve ter-se transformado pois, por vezes, recorri a uma certa imobilidade fisionómica, por não querer chorar”.

O fio de água irradia do texto, no decurso de uma inundação começada em sonho e toda a escrita vai sendo efeito de escrita – um fio imaginário e “pela força da sinceridade, ou seja, a seguir dexteramente o rio da sua origem, ficamos protegidos entre nós”.

O rio da origem desse blog é uma carta enviada a Lucia Castello Branco por Maria Gabriela Llansol, denominada “Carta ao Legente”: “’É pensamento’, e deixá-lo, de novo, cair da memória, no fio de água do texto”. É o texto anterior tornado a ser, nas palavras de Silvina Rodrigues Lopes, que ainda aponta um risco:

“Nada nos indica no entanto que os textos não correm perigo. Correm: ‘Friederich N. desapareceu. Nenhum de nós sabe dele. Como é um louco rio desaguará na época imprópria. Quem poderá guardar sem perigo os textos que escreveu?’”.

Amoz, F.
23-01-13
Ocaso

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