Conversas com Llansol

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Sr. Higginson,

Sua delicadeza exigira gratidão imediata – mas estive doente – e escrevo hoje, na cama. Obrigada pela cirurgia – não foi tão dolorosa como eu supunha. Trago-lhe outros [poemas] – como o senhor me pede – embora eles pareçam não diferir –
Enquanto meu pensamento está despido – Eu posso fazer a distinção, mas quando os coloco na Toga – eles parecem semelhantes, e entorpecidos.
O senhor perguntou quantos anos eu tinha? Não fiz versos – apenas um ou dois – até este inverno – senhor.
Vivi um terror – desde setembro – não poderia contá-lo a ninguém – e então eu canto, como o Menino canta em torno das Sepulturas, porque tenho medo –
O senhor pergunta sobre meus Livros – Por Poetas – Tenho Keats – e Sr. e Sra. Browning. Em Prosa – Sr. Ruskin – Sir Thomas Browne – e o Apocalipse. Entrei para a escola – mas, por assim dizer – não tive educação. Quando Menina, tive um amigo, que me ensinou a Imortalidade – mas aventurando-se muito perto, ele próprio – nunca retornou – Logo depois, meu tutor morreu – e por vários anos, meu Léxico – foi meu único companheiro – Depois encontrei mais um – mas ele não me quis como discípula – e então deixou o Terreno.
O senhor pergunta sobre meus Companheiros, Colinas – senhor – e o Pôr-do-Sol – e um Cão – tão grande como eu, que meu Pai me trouxe – Eles são melhores que Pessoas – porque sabem – mas não contam – e o barulho no Poço, ao Meio-dia, supera meu Piano.
Tenho um Irmão e uma Irmã – Minha Mãe não dá importância ao Pensamento – e o Pai, muito ocupado com seus Relatórios – para perceber o que fazemos – Ele me compra muitos Livros – mas implora para que eu não os leia – porque teme que eles perturbem a Mente. São religiosos – exceto eu – e cortejam um Eclipse, toda manhã – que eles chamam de “Pai”.
Mas temo que minha história o fatigue – Eu gostaria de aprender – o senhor poderia me ensinar como crescer – ou é intransmissível – como Melodia – ou Bruxaria?
O senhor fala de Mr. Whitman – nunca li seu Livro – mas me foi dito que ele é infame – De Miss Prescott, li “Circunstância”, mas o texto me seguiu, na escuridão –
então eu a evitei –
Dois Editores de Jornais vieram até a Casa de meu Pai, este inverno – e me perguntaram sobre minha Mente – e quando lhes perguntei “Por quê”, disseram-me que sou digna de pena – e eles usariam isso para o Mundo –
Não poderia mensurar-me a mim mesma – Eu mesma –
Meu tamanho senti pequeno – para mim – Li seus Capítulos no Atlântico – e senti orgulho do senhor – Estava certa de que o senhor não recusaria uma questão confidencial –
É isto – senhor – o que pediu para lhe contar?

Sua amiga,

E – Dickinson

Carta de 25 de abril de 1862. Tradução de Fernanda Mourão.

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