Sonhar Alto Minha Pesquisa

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Foto: Janaina de Paula

 

Método: (do gr. Méthodos – “caminho para chegar a um fim”)

Substantivo masculino:

  1. Caminho pelo qual se atinge um objetivo

  2. Modo de proceder; maneira de agir; meio

  3. Tratado elementar; meio; processo; técnica.

SALVO O MÉTODO

por ocasião da visita de Roberto Corrêa dos Santos

13 de dezembro de 2012

 

**********

 

Em 1991, por ocasião da atribuição do Grande Prêmio do Romance e da Novela de 1990, da Associação Portuguesa de Escritores a Um beijo dado mais tarde, Maria Gabriela Llansol abriu seu discurso com as palavras seguintes:

__________escrevo,

para que o romance não morra.

Escrevo, para que continue,

mesmo se, para tal, tenha de mudar de forma,

mesmo que o faça atravessar territórios desconhecidos,

mesmo que o leve a contemplar paisagens que lhe são tão difíceis de nomear.

Tomo as palavras da escritora como forma de apoiar aquilo que não possui, não possui apoio nenhum. Ou, talvez, como forma de sustentar (o insustentável?) e esboçar uma explicação possível à questão proposta, tão difícil de nomear: “por que pesquisar literatura?” e, nela, situar nossa pesquisa no âmbito da Literatura & Psicanálise. Diria:

 

__________escrevo,

para que a linha de pesquisa LIPSI não morra.

Escrevo, para que continue,

mesmo se, para tal, tenha de mudar de forma,

mesmo que a faça atravessar territórios desconhecidos,

mesmo que a leve a contemplar paisagens que lhe são tão difíceis de nomear.

Porque essa linha tênua – LIPSI –, tão tênua quanto pode ser uma linha, mas tão demarcante quanto esta pode ser também, esteve prestes a se perder. Às vezes, perde-se a linha, sabemos, principalmente quando se é obrigado a responder a exigências absurdas, tão alheias à literatura, quanto à psicanálise. E, quando se perde a linha, sabemos, o obsceno vem à tona.

Poderíamos lembrar aqui do projeto de Antoine Compagnon exposto em sua conferência inaugural, proferida no dia 30 de novembro de 2006, no Collège de France, publicada sob o título Literatura para quê? Poderíamos também facilmente aplicá-lo à psicanálise. Ele diz:

Meu projeto será sustentar que a espoliação da literatura, iniciada há muito tempo, talvez desde sempre, nunca chegará ao fim, porque ela pertence ao próprio movimento – odi et amo – da literatura e da modernidade, e porque é a sua fragilidade […] que a torna desejável.

Então, desejo marcado na linha das mãos de um destino sempre à prova; a letra na ponta dos dedos daquele que se arrisca a escrever. Essa linha tênue – rara e frágil – encontra no seu horizonte o transverso do infinito, o transverso do impossível. E isso também a torna desejável.

Tocando, então, as raias do impossível, o projeto de pós-doutorado (CAPES-PNPD) “Palavra em ponto de dicionário: o trabalho da citação e a prática da letra” visa, para que o LIPSI não morra, elaborar um dicionário: um dicionário de citações compostas à maneira de um mosaico – citações essas colhidas no campo da literatura, da psicanálise e de uma certa filosofia, uma filosofia afim, que traga a marca delas ou, melhor, desses dois discursos que se encontram no trato, no tratamento da língua pela língua, acenando, em miragens reais, talvez, uma língua sem impostura. Recorro aqui, mais uma vez e sempre, à palavra-pensamento de Maria Gabriela Llansol. E cito:

E, hoje, sei que essa língua se tinha tornado o meu único ponto firme – a minha âncora: o meu real; o nó de certeza do meu corpo com o mundo. O meu órgão de convicção, se assim vos aprouver.

Palavra em ponto de dicionário; a língua como único ponto firme – a âncora; a linha, o texto – “o texto é a mais curta distância entre dois pontos”, afirma Llansol, em uma operação que inclui o real e o nó de certeza do corpo com o mundo.

A partir dessa citação de Llansol, ainda com Compagnon, poderíamos arriscar outra resposta à questão – “por que pesquisar literatura?” –  invocando “o título impecável de Georges Perec”, assim: porque a literatura é A vida: modo de usar. E, ainda, invocando o título de Roberto Corrêa dos Santos, diríamos: “Modos de saber, modos de adoecer” e acrescentamos a cura, a cura da literatura.

Nosso dicionário, então, sendo construído a partir de citações, concebe-se como uma colcha de retalhos e concorda com o que o professor Roberto afirma no texto “O suspense nos romances de Freud”, situado no livro acima mencionado, ao citar: “Em todos os textos freudianos, afirma-se o que cedo aprendeu Hans, o jovem investigador: ‘Todo conhecimento é um monte de retalhos e, a cada passo à frente, deixa atrás um resíduo não resolvido’”.

O que resta, o que cai, o que amarra, o que marca, o que delimita, uma linha-litoral, o que se alinha, não é uma letra? A letra como condição de possibilidade, no entanto, a salvo, a salvo do discurso. O método, literalmente, o caminho escavado, deixando atrás um resíduo não resolvido. Salvo o método, continuamos, reconhecendo-o, a posteriori, como caminho escavado pelo desejo, em modo de não-saber, no susto de um achado para sempre perdido, reencontrado biografematicamente.

Procuramos, então, com convicção, desejo e tato esse modo de usar, esse modo de saber, que temos nomeado de prática da letra. A prática da letra inclui aí o trabalho da citação. Procuro é a palavra, a palavra em ponto de dicionário. Uma palavra que não seja “dirigida de antemão pela intenção geral de um discurso socializado”, mas que seja dirigida a um suposto consumidor de poesia, tal qual o vislumbra Roland Barthes:

O consumidor de poesia, privado do guia das relações seletivas, desemboca na Palavra, frontalmente, e recebe como que uma quantidade absoluta, acompanhada de todos os seus possíveis. A Palavra é aqui enciclopédica, contém simultaneamente todas as acepções entre as quais um discurso relacional lhe teria imposto escolher. Cumpre então um estado que só é possível no dicionário ou na poesia, ali onde o nome pode viver privado de seu artigo, reduzido a uma espécie de grau zero, prenhe ao mesmo tempo de todas as especificações passadas e futuras. A palavra tem aqui uma forma genérica, é uma categoria. Cada palavra poética é assim um objeto inesperado, uma caixa de Pandora de onde saem voando todas as virtualidades da linguagem; é portanto produzida e consumida com uma curiosidade particular, uma espécie de gulodice sagrada. Essa Fome da Palavra, comum a toda a poesia moderna, faz da palavra poética uma palavra terrível e desumana. Institui um discurso cheio de buracos e cheio de luzes, cheio de ausências e de signos supernutritivos, sem previsão nem permanência de intenção e por isso mesmo tão oposto à função social da linguagem, que o simples recurso a uma palavra descontínua abre a via de todas as Sobrenaturezas.

Poder-se-ia contestar dizendo que, por se tratar de citações, inseridas nos campos acima nomeados (a Literatura, a Psicanálise), ou seja, na frequência ou no contexto de determinado discurso, a palavra aqui não seria enciclopédica, nem se encontraria nesse estado – um estado da Palavra que só é possível no dicionário ou na poesia. Ela não conteria, simultaneamente, todas as acepções, já que um discurso relacional teria sido imposto, teria sido escolhido.

A réplica começaria assim:

Salvo o método. A alusão é o texto de Derrida, Salvo o nome, em clave de teologia negativa. Talvez, não a salvo de equívocos, mas ao abrigo da invocação, de uma invocação muda – o grito do silêncio no espírito da letra (morta). Invocamos, assim, silenciosamente, o método, para nos salvar, salvar a palavra (conceitos e noções) das acepções acostumadas, acomodadas, autorizadas no dis-curso-corrente, institucional e instituidor. Como colocar a palavra a salvo da esclerose dos conceitos? Como colocar a palavra a salvo de um saber modelado, aquele que, segundo Roberto Corrêa dos Santos, tem um juízo fixo, anterior ao objeto abordado, do qual se parte e aonde se acaba retornando, “como alguém que seguisse um conjunto de pegadas e fosse por fim descobrir a própria casa, o próprio pé”?

Salvo o método, então, colocando-o a salvo de algumas exigências. Por exemplo, a que nos adverte Roland Barthes:

Há quem fale do método gulosamente, com exigência; no trabalho, o que desejam é o método; este nunca lhes parece suficientemente rigoroso, suficientemente formal. O método torna-se uma lei, mas como esta Lei é privada de qualquer efeito que lhe seja heterogêneo (ninguém pode dizer o que seja, em “ciências humanas”, um “resultado”), ela é infinitamente irrealizável; posicionando-se como uma pura metalinguagem, participa da vacuidade de toda a metalinguagem. É pois uma constante que um trabalho que proclama sem cessar a sua vontade de método seja afinal estéril: passou tudo para o método, já nada resta à escrita; o investigador repete que o seu texto é metodológico, mas este texto nunca aparece: nada mais seguro, para matar uma investigação e fazê-la ir parar ao grande desperdício dos trabalhos abandonados, nada mais seguro do que o Método.

 

Então, tudo – a escrita –, salvo – o método. Para Roland Barthes, desde que a investigação se interesse pelo texto, a investigação torna-se, ela própria, texto, produção: “qualquer ‘resultado’ é-lhe à letra im-pertinente”. Ele afirma: “A ‘investigação’ é então o nome prudente que, sob a pressão de certas condições sociais, damos ao trabalho da escrita”. Para Barthes, “a investigação está do lado da escrita, é uma aventura do significante”.

Por isso Freud investigador, a respeito do qual Roberto Corrêa dos Santos afirma: “O caráter de investigação dos estudos feitos por Freud refere-se tanto ao valor científico, quanto ao valor desse termo no âmbito do chamado romance policial. Investigar envolve tanto o controle das pistas, a tarefa de decifração das formas e dos enigmas postos, a atitude de ressintaxizar os materiais recolhidos, antes soltos e dissimulados”.

Nesse sentido, após investigar diversas entradas para se estar na escrita de Freud, Roberto, ele mesmo investigador, escreve:

Todos esses rumos exaustivamente acenados por Freud só permitem a ele ser, ao consenso dos leitores de hoje – para além do pensador e cientista – um escritor, devido ao fato inelutável de que um escritor assim o é por sua escritura. E esta consiste em um ato de decisão, em um modo de escolha de um valor ético construído pelo trabalho duro e feliz da forma. Por sobre as revelações da experiência em sua atualidade, na escrita, na posterioridade do relato: criadora remodelagem de cuja expressão ulterior brotam os sentidos possíveis e, conforme o ângulo de recolha, sempre recombináveis. A escritura de Freud gera-se nessa margem, em estado de vibração, como um organismo mutante, que avança, que se autocorrige, que se retoma sob suaves variantes, oferecendo-se ao abandono e à disponibilidade dos espíritos livres. Puro amor. Forte ética. Ética expressa na potência escritural, tão clara. Em carta dirigida a Thomas Mann, por ocasião do sexagésimo aniversário deste, dirá: “Desejo expressar a confiança em que você nunca faça ou diga nada que seja covarde e vil, afinal de contas, a palavra de um escritor são atos”.

A escritura, então, enquanto ato ético, formaliza Roberto. E em Freud – chama-nos a atenção – encontramos uma genealogia particular, “pois é feita no seio de uma cultura da letra, a cultura judaica”: “Freud, o autor, é um cruzamento de textos que proliferam de suas mãos, e é um cruzamento de textos que o antecedem e o constituem: o grande solo frasal e narrativo do universo lendário, mágico e religioso de seu povo – todo impresso na amargura feliz e humorada de uma memória. Freud nasce nessa biblioteca de interpretações, casos e letras”.

Citando, agora, Jacques Derrida, em A escritura e a diferença, Roberto Corrêa dos Santos compara Freud a Edmond Jabès, no sentido em que há neste, como em Freud, “’o judaísmo como nascimento e paixão da escritura. Paixão da escritura. Amor e sofrimento da letra, sem que se saiba dizer se o sujeito é o Judeu ou é a própria Letra’, já que a história da raça sai do livro e se constrói em literal labor”.

Em literal labor, tudo, quase tudo, na letra. Investigamos. E nos deparamos, em Mal de arquivo, também de Derrida, agora este citando e comentando Yosef Hayim Yerushalmi, em O Moisés de Freud: judaísmo terminável e interminável, um arquitexto para os arquivos freudianos. Trata-se, segundo Yerushalmi, de um episódio crucial entre Jakob (pai de Freud) e Sigmund Freud, cujo alcance não tem sido plenamente avaliado, sem dúvida, por colocar em jogo um texto em hebraico, que até esse momento não tinha sido corretamente transcrito.

Segundo esse autor, esse seria o único texto canônico de Jakob Freud, que nos teria sido deixado: uma inscrição, uma dedicatória do pai ao filho, escrita em 1891, por ocasião de seu trigésimo quinto aniversário, no pórtico de uma bíblia. Para Yerushalmi, o pai oferece ao filho um presente inabitual, ele redoa a Bíblia de Philippson, na qual Freud havia feito seus estudos na infância, agora, com uma nova capa, uma nova pele, um novo couro. Acontece que a dedicatória, na celebração da letra e do tempo, é um texto redigido em melitzah – um mosaico de citações, uma colcha de retalhos, um mosaico de fragmentos e de expressões extraídas da Bíblia, da literatura rabínica ou da liturgia, reunidos e tecidos de maneira a formar um texto coerente, refletindo o pensamento do autor. De uma certa forma, diz Yerushalmi, o procedimento se aproxima do desejo expresso por Walter Benjamim de escrever, um dia, uma obra inteiramente composta de citações.

Nessa linhagem, então, para que a linha de pesquisa “Literatura e Psicanálise” (LIPSI) não morra, para que continue, escrevemos. À letra, a escrita aqui é entendida como corte, cola, cópia também. Mas, à maneira de um Pierre Menard, para que a mão se meta no pensamento, para que mude de forma, atravesse territórios desconhecidos e contemple paisagens tão difíceis de nomear.

Tomar a palavra em ponto de dicionário é deixá-la reduzida a seu grau zero, ainda prenhe de todas as significações possíveis e por instituir, no discurso mesmo de onde as citações são retiradas. O desejo é de abrir rasgos, através dos quais alguma nesga de luz seja possível. Trata-se, sim, de uma forma de lidar com a esclerose de alguns conceitos, de algumas noções, de algumas palavras acostumadas. A repetição, a repetição, a repetição. Por isso, a literatura: a vida – modo de usar, modo de saber, modo de adoecer e curar.

Salvo o método, Roberto Corrêa dos Santos escreve “O convite ao método”. E o método que, curiosamente, ele nos convida é o de uma glossarização. A literatura é a vida. Modo de usar: vide bula: glossarizar. Glossarizar como modo de desabitar ou desvestir o hábito, estatuído nas comunidades científico-culturais (o campo das Letras, ele diz, é uma delas), de:

conceber sem grandes aflições certas categorias pertencentes a seu campo vocabular, empregadas de modo totalitário para designar as formas mais diversas de manifestação social, pode evidenciar à primeira vista um certo conhecimento, senão preciso, pelo menos tácito, em relação àquilo que os membros que articulam tal termo estão se referindo. Todos (parece), num exato momento e numa determinada medida, julgam comunicar uma obviedade, uma aceitação, um saber dominado, um já-visto.

Nesse contra-sentido, o Dicionário de citações: Literatura e Psicanálise será constituído por verbetes (textos tecidos com citações), cujas definições não serão elaboradas por especialistas, mas por loucos, por nós – mesmo – outros. Lembremos a indicação de Marguerite Duras, quando esta nos diz: só os loucos escrevem completamente. Levando a indicação ao pé da letra, buscaremos colher as definições em oficinas realizadas em “Práticas da Letra”. Salve o saber da loucura da escrita, salvo o método, procuro é a palavra.

Ainda, seguindo Roberto Corrêa dos Santos, no sentido de “tentar riscar um pouco a cristalização nocional”, ele levanta a possibilidade de algumas passagens. Dentre elas, a glossarização:

Estamos inclinados a supor que uma delas [uma passagem possível] poderia ser o que chamaremos de glossarização, por mais paradoxal que pareça. Glossarizar, não para aprisionar ou tranquilizar, mas sim para fazer evadirem-se as significações. A ‘eficácia’ desse glossário (enlouquecido?) far-se-á, caso possa provocar enfrentamento da diferença e, por questão de um indecidível método, desviar-se das maneiras mais comuns de se fazer tal percurso de contato com a cadeia significante. Atividade aparentemente grandiosa, liga-se, contudo, ao gesto mais simples, e nem por isso fácil: ao gesto de investigação de categorias particulares, com vista a reconhecê-las em seu valor, em seu funcionamento e em sua diversidade. Elaboração minuciosa e paciente de uma nova lexicografia. Procurar-se-ia então perseguir, recolhendo, fios constituidores dos mecanismos da produção de manifestações significantes. Assim, partindo-se de categorias, quem sabe aos poucos ir-se-ia percebendo que, através dos fios puxados, vai-se constituindo (restaurando-se até) uma outra tapeçaria, com outros pontos e outros intrincados processos, podendo-se ver, através destes, aqueles já transformados? Trabalhar-se-ia, pois, sobre teias, desfazendo-as e retecendo-as.

 

Essa “glossarização perturbadora” e seu “indecidível método”, aos quais Roberto Corrêa dos Santos nos convida, e com que ele nos desafia ou desfia, teria o dom de “estelar a condensação, abalar a confiança, imprimir a fenda, dispersar a unidade, interromper o contínuo. Cortar pela digressão. Passando a importar o que parece menor, retornar-se ao que fora abandonado, procurando-se refazer aquilo que é dominado por hábito, com olhar atento”.

Eu, particularmente, aceitei o convite, antes mesmo de tê-lo recebido e, agora, tomo-o como o título, a letra com a qual Maria Gabriela Llansol foi premiada e escreveu “Para que o romance não morra”. Tomo esse convite de Roberto, convite ao método, salvo o método como Um beijo dado mais tarde. Gracias.

Belo Horizonte, 13 de dezembro 2012.

                                                          Vania Baeta

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