Sonhar alto minha pesquisa

Passagem: morada do sonho (de Pesquisa)

Por Ana Senra

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“Sem passagens não há matéria figural… “ (Maria Gabriela Llansol)

Um verbete, diga-se de passagem, é um conjunto de sentidos de uma palavra compartilhados por um universo de pessoas que fazem uso do mesmo código. Esse conjunto se forma por palavras que buscam definir-se uma à outra, o que evidencia o próprio limite do que é a palavra e, ao mesmo tempo, o que é também sua força, que está no limiar entre uma palavra e outra, onde desenha-se um litoral. Logo na passagem… Todo verbete seria, então, uma passagem? Diria que sim, pois o que tenta traduzir é o fora com que as próprias palavras se dão, o “impensável do pensamento, o invisível da visão, o indizível da palavra”(1), sua impossibilidade, seu limite, o real. E Isso implica, claro, a experiência, própria e singular, de criação com a palavra.

O objetivo desta pesquisa é a escrita de um verbete, – ele mesmo passagem-, que se entregue, por meio da literatura e da psicanálise, ao desvio, para experimentar a palavra passagem em condição de transformaro limite que, em si, reside.

O desvio que aqui nos interessa, nas trilhas de Mário Fonseca(3), aponta para“uma experiência de limiar (2)–sob a forma de salto, descontinuidade, interrupção, renúncia, dissipação e metamorfose”, para superar as fronteiras da impossibilidade de dizê-la na singularidade da experiência que implica, muitas vezes irreconhecível e difícil de vivenciar. Ali onde faz uma torção e se faz movimento –condensação de espaço-tempo- para escrever-se nesse litoral(4), desvelando que as paragens da impossibilidade –o real- são apenas um limiar e não mais um limite…

Enquanto movimento, a passagem carrega em si um sonho, portanto. Condensa, desloca, transforma, transcria, para fisgar algo do real.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

(1) LEVY, T. A experiência do fora Blanchot, Foucault e Deleuze. Rio de Janeiro: Ed. Civilização Brasileira, 2011 p.11,

(2)BENJAMIN, W. Passagens. Belo Horizonte, Ed. UFMG, 2007.p.535

(3)FONSECA, Mário G. A Cobra e os Poetas: uma mirada selvagem na literatura brasileira. Tese apresentada ao Curso de Doutorado do Programa de Pós-Graduação da FALE-UFMG, 2013.p.197

(4)LACAN, Lituraterra. Rio de Janeiro: Zahar Ed., 2007.

 

ps: Aquarela de Ana Senra

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