Companheiros Filosóficos

Ação no Parque Municipal (1970), por Décio Noviello

Ação no Parque Municipal (1970), por Décio Noviello

Continuamos, hoje, com a postagem das partículas que compõem a conclusão da tese de Doutorado em Teoria da Literatura e Literatura Comparada, de Erick Gontijo Costa, intitulada “acurar-se da escrita — Maria Gabriela Llansol”.

Leia, a seguir, a quarta partícula, intitulada “Eu”:

Superfície especular recortada por significantes. Dobrada sobre si, faz-se espaço delimitado, fortificação, complexo. Círculo de certezas (e contradições) imaginárias. Lugar pretensamente uno, familiar, perturbado pelo que lhe é simultaneamente exterior e íntimo. Apanhado de fragmentos. Jogos de espelhos e pontos cegos. Distorções. Realidade sem substância, com alguma consistência. Algumas vezes, objeto de defesa contra um si verdadeiro. Corpo instável de imagens de si e do mundo. Lugar heterogêneo em que habita o fracasso como possibilidade de criação. Instância que se destitui na escrita, para dar voz ao que em si é desconhecido. Em análise e em certas práticas de escrita, cada uma a seu modo singular, o eu é instância que se acura, que se esgota, que se reduz a uma mínima lista de si: silhueta, ele sem rosto. Eu: devir outro, devir. Resistência, na superfície.

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