Dedico-vos estes textos

Chegando a BH de ônibus. Foto Lucia Castello Branco

Chegando a BH de ônibus. Foto Lucia Castello Branco

Amarelo tangelos e as vozes delas:

a loucura, a coisa literária e a tradução

 

 Devemos renunciar a conhecer aqueles a quem nos liga alguma coisa de essencial; quer dizer, devemos acolhê-los na relação com o desconhecido onde eles nos acolhem, nós também em nosso afastamento.

 Maurice Blanchot

Eu não começaria, talvez, pelo amarelo, se não fosse aquela fruta, melhor dizendo aquela sede – a sede daquela fruta – que ela me ofereceu, quando nos despedíamos.

Era meu último dia em Atlanta e, ocupada com todas as tarefas da mudança, eu quase perdera a tarefa que me trouxera ali: entrevistar Shoshana Felman. Entrevistá-la depois de traduzi-la. Entrevistá-la depois de receber de suas mãos o mais precioso tesouro: a entrevista que ela concedera a Elizabeth Roudinesco, em 2001, falando de seu encontro com Lacan. Mas entrevistá-la ainda antes de ler a entrevista que ela concedera a Cathy Caruth, localizando o seu trauma, o trauma de não se sentir em casa em nenhuma língua estrangeira, tampouco em sua língua materna, mas de encontrar finalmente o seu lugar na escrita. “My writing is my country”–  ela diria, conferindo à escrita um lugar central em sua vida.

Eu não começaria, certamente, pelo amarelo, se não fosse aquela casa de Atlanta, que me recebera como nenhuma casa antes, com seu silêncio e a solidão de seus carvalhos, a me trazer de volta, diariamente, o poema de Holderlin e a responsabilidade do poeta: ir mais além.

para Shoshana,

em minha tarefa de traduzir você,

minha amitié

Lucia

Arriving in Atlanta by train. Foto Lucia Castello Branco

Arriving in Atlanta by train. Foto Lucia Castello Branco

Yellow Tangelos and Their Voices:

Madness, the Literary Thing, and Translation

  Nous devons renoncer à connaître ceux à qui nous lie quelque chose d’essenciel; nous devons les accueillir dans le rapport avec l’inconnu où ils nous accueillent, nous aussi dans notre éloignement.

  Maurice Blanchot

I might not begin, perhaps, with yellow if it weren’t for that fruit, or better put, that silk—the silk of that fruit—she offered me when we said goodbye.

It was my last day in Atlanta, and busy with all the last-minute tasks of moving, I almost missed the task that had brought me there: to interview Soshana Felman. Interview her after translating her. Interview her after receiving from her hands the most precious treasure: the interview she had granted Elizabeth Roudinesco in 2001 where she spoke about her encounter with Lacan.

But to interview her even before reading the interview she’d given to Cathy Caruth, in which she’d located her trauma, the trauma of not feeling at home in any foreign language or in her mother tongue, but of finding her place finally in her writing. “My writing is my country, she would say, conferring to writing a central place in her life.

I wouldn’t begin with yellow for sure if it weren’t for that house in Atlanta that received me like no other house before, with the silence and the solitude of its oaks which brought me back, daily, to the poem by Holderlin and the poet’s responsibility: to go further.

to Shoshana,

in my task of translating you,

my amitié

Lucia

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