Companheiros Filosóficos

Foto Lucia Castello Branco

Foto Lucia Castello Branco

Continuamos, hoje, com a postagem das partículas que compõem a conclusão da tese de Doutorado em Teoria da Literatura e Literatura Comparada, de Erick Gontijo Costa, intitulada “acurar-se da escrita — Maria Gabriela Llansol”.

Leia, a seguir, a última partícula, intitulada “acurar-se da escrita ”:

Se a realidade e os corpos vacilam, a escrita se impõe a alguns. Quem escreve lida com o que na língua é falha, com o que na realidade é estranheza e opacidade. Autentica em sua prática o excesso, o desmedido, o real que refuga na linguagem, abrindo-a em palavra-em-abismo.

Assim, acurar-se da escrita é perfurar a superfície finita da página, escavar aí o espaço infinito em que a vida circula, pulsa. O escritor in-finitiza corpos e mundos em texto. De sua prática, pontualmente, nasce, e apenas em face dela. Deixa-se atravessar pelo desconhecido que porta em si, no desvanecimento do eu e de sua identidade. Nasce a cada gesto de escrita e desaparece a seguir, para então tornar a escrever.

Nessa prática, depuram-se objetos singulares: corpo, obra, livro, poema, letra. Devir escritor: permanente acurar-se da escrita. A escrita que se acura em objeto devolve a
quem escreve o primeiro olhar, o corpo-centelha que se move em direção ao lápis.

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