Companheiros Filosóficos

Continuamos a publicar a conclusão, intitulada “Notas sobre o fim”, da tese A escrita dos dias: a ética da paisagem em Maria Gabriela Llansol, de João Rocha.

William Kentridge.

William Kentridge.

Se é verdade que a crítica possui um parentesco próximo com a “crise”, é menos por uma afinidade filológica e mais pelo ponto de interseção entre ambas: a leitura.

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A leitura está sempre em crise, pois sua força é manter a potência de ruína de todo texto poético.

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O combate da leitura é o de manter vivas as clareiras de respiração que separam cada letra no interior de um poema; é o de tomar “o partido das coisas”, o partido do disforme, no meio de um mundo que caminha cada vez mais em direção ao progresso, à rigidez das formas e à petrificação do sentido.

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Ler é manter vivas as tensões entre os diversos “mundos do mundo” – caminhar sobre o fio da navalha do fim.

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Ler também é começo, “sopro de vida”[1], é tarefa séria de respeitar a “sequencia coercitiva das frases e das páginas”[2], mesmo que ela nos aponte o aberto, a dissolução.

[1] LLANSOL. Amar um cão. 1990b, s/p.

[2] LLANSOL. Amar um cão. 1990b, s/p/

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