Falando com as Paredes

Porque Roland Barthes, assim como Llansol, pensou a textualidade, sempre reiterando que texto é tecido. Porque Llansol declarou, em entrevista, que Sade, Fourier, Loyola foi, durante alguns anos, o seu livro de cabeceira. Porque o método biografemático também foi aquele que inspirou, tantas vezes, a “tradução legente” de Llansol. Porque os cantores de leitura são aqueles que têm o grão da voz.  Porque João Rocha soube entrevistar Lucia Castello Branco e reunir, em uma só conversa, Maria Gabriela Llansol e Roland Barthes, o fulgor llansoliano e o fulgor barthesiano, a escritora e a professora, o curso de silêncio e a aula. Porque, por uma palavra – a derrelição –, Barthes retornou ao texto, com seu corp’a’screver e seu sexo de ler. Porque Maraíza Labanca, menina que carrega o fio de água na peneira, pediu que este texto estivesse aqui, ao lado dos poetas e dos vagabundos, postamos hoje o texto que se segue, apresentado na Faculdade de Letras da UFMG, em 26 de novembro, no evento em homenagem aos 100 anos de Roland Barthes.

roland-barthes.jpg

 

Roland Barthes:

o biografema como método

                                                                       Lucia Castello Branco[1]

 

                                                                       Sinto uma proximidade de criança esperta                                                     com Roland Barthes. Como ele, eu aspiro à solidão,                                                   ainda que gostando das companhias. Concordo com                                                    seu gosto pelo silêncio. Sem dúvida, consegui me                                                       proteger um pouco mais das demandas do outro. E                                                   também não me tornei professora do Colégio de                                                                    França.

                                                                                    Catherine Millot, O Solitude

 Convido Catherine Millot a participar, a meu lado, desta breve homenagem a Roland Barthes, nos cem anos de seu nascimento, porque foi com ela, Millot, que estive há pouco novamente mergulhada numa espécie de delícia barthesiana, através de uma palavra rara, tanto na língua de Barthes e de Catherine, quanto em nossa língua: “derrelição”.

Comecemos por ela, a derrelição, para anunciarmos, pelo viés de uma letra – D., de derrelição – o reencontro com Barthes, nas planícies uruguaias, nos arredores de Montevidéu, enquanto atravessávamos o aberto da paisagem, rumo à Colônia do Sacramento, e  eu lia, não sem levantar a cabeça para olhar as planícies, o livro O Solitude Oh, Soledad! , na tradução de Beatriz Vegh –, de Catherine Millot.[2]

Desse livro não falarei aqui, senão reduzindo-o a uma palavra, que em minha língua materna se encontra escondida, e em minha própria língua se manteve agarrada, na ponta da língua, como se diz, para me ser devolvida por uma tradutora que a lera, em mim, em um de meus livros, e depois por uma colega, que a trouxera de volta para mim, ao citar A obscena senhora D., de Hilda Hilst: D., de derrelição.[3]

Comecemos por uma palavra, que se reduz a uma letra, para trazê-lo assim,  Roland Barthes, como ele talvez apreciasse, em pleno movimento digressivo de gozo na derrelição. E então a leremos como uma figura: “s.f.: abandono, desamparo. No Direito, ‘abandono voluntário de coisa móvel, com a intenção de não mais a ter para si’.”

Sabemos que, na mística, a palavra recebe outras nuances, relacionadas ao “Dasein” heideggeriano: o ser em estado de abandono[4]. Convoco aqui todas essas acepções para evocar uma outra: aquela que, em linguagem blanchotiana – que Barthes saberia apreciar –, chamaremos de “solidão essencial”, em articulação com a “experiência literária”[5]. E assim a configuramos, a partir da epígrafe do livro de Millot, extraída de Catherine Philips: “O Solitude! My sweetest choice!”[6]

E então, à maneira de Barthes, podemos situar esta solidão:

 

                                                           Um garoto sentado em um muro baixo,                                                    à beira da estrada que ele não olha – sentado                                                          como que eternamente, sentado por estar                                                                    sentado, sem tergiversar:

 

                                               ‘Sentado calmamente sem nada fazer

                                               A primavera vem e a erva cresce por si mesma.’[7]

A essa solidão chamaremos, em consonância com a leitura que Millot faz de Barthes, de derrelição. E assim a definiremos: “estado de abandono a que o sujeito se entrega, por lascívia, por acídia, por passividade”. Em linguagem blanchotiana, diríamos: desastre. Em linguagem lacaniana, talvez disséssemos: gozo. Em linguagem barthesiana, diremos: “abismar-se: lufada de aniquilamento que atinge o sujeito apaixonado por desespero ou por excesso de satisfação”. [8]

Do método

Não há, talvez, nada de mais aparentemente não-barthesiano do que a tentativa de traçar, para essa escrita, um método. Afinal, como Barthes já advertiu algumas vezes, em Ciências Humanas corre-se sempre o risco de recair numa espécie de gulodice do método:

 

                                                                       Alguns falam do método gulosamente, exigentemente; no trabalho, o que desejam é o  método; este nunca lhes parece suficientemente rigoroso, formal. O método torna-se uma Lei, mas, como essa Lei é privada de todo efeito que lhe seja heterogêneo (ninguém pode dizer o que seja, em “ciências humanas”, um “resultado”), ela fica infinitamente frustrada; colocando-se como uma pura metalinguagem, participa da vaidade de toda metalinguagem. Assim, é constante que um trabalho que proclama  continuamente a sua vontade de método seja finalmente estéril: tudo passou para o método; nada mais resta para a escritura; o pesquisador fica repetindo que seu texto será metodológico, mas esse texto nunca chega: nada mais seguro, para matar uma pesquisa e fazê-la juntar-se ao grande lixo dos trabalhos abandonados, nada mais seguro do que o Método. [9]

Por isso, para Barthes, é preciso, “em dado momento, voltar-se contra o Método”: em respeito à “ordem da escritura”, “espaço de dispersão do desejo, onde dispensa é dada à Lei”. [10] O que dizer, então, de uma proposta de leitura de Barthes que justamente sugere que essa escritura, a escritura de Barthes, obedece a um método, e que esse método, por sua vez, faz de seu percurso o “biografema”, a letra de uma vida?

Talvez isso não signifique, exatamente, voltar-se contra o método, mas quem sabe não fazer do método um caminho sem erro, mas, antes, o percurso de uma errância. E, sendo o biografema um elemento tanto do autor quanto do leitor – já que é o leitor quem vai colher o “biografema” no texto do autor, a partir de seu corpo futuro, afetado pelo corpo em cinzas do autor, corpo de “uma vida” em dispersão –, ambos se tornam “vagantes”, no movimento biografemático de escritura e de leitura:

  Antigamente um bonde branco fazia o trajeto de Baiona a Biarritz; no verão, engatava-se a ele um vagão aberto, sem teto: o vagante. Grande alegria, toda gente queria ir nele: Ao longo de uma paisagem pouco carregada, gozava-se ao mesmo tempo do panorama, do  movimento, do ar. Hoje, nem o vagante, nem o bonde existem mais, e  a viagem de Biarritz é uma chatice. Isto não é para embelezar miticamente o passado, nem para dizer a saudade de uma juventude perdida, fingindo-se de saudade de um bonde. Isto é para dizer que a arte de viver não tem história, ela não evolui: o prazer que cai, cai para sempre, insubstituível. Outros prazeres vêm, que não substituem nada. Não há progresso nos prazeres, apenas mutações.[11]

Ora, se a arte de viver não tem história, não evolui, reduzi-la a uma letra – o grafema – significa, talvez, atingir, no movimento em queda livre das mutações, o que resta de uma vida, a “restante vida”.[12] E não será justamente esta a acepção do biografema, proposta por Barthes?

Se fosse escritor, e morto, como gostaria que a minha vida se reduzisse, pelos cuidados de um amigável e desenvolto biógrafo, a alguns pormenores, a alguns gostos, a algumas inflexões, digamos: “biografemas”, em que a distinção e a mobilidade poderiam deambular fora de qualquer destino e virem contagiar, como átomos voluptuosos, algum corpo futuro, destinado à mesma dispersão![13]

 

Resta-nos, então, pensar em que se distingue das demais essa leitura de um corpo contagiado pelos átomos voluptuosos de um outro corpo: aquele que se reduz às letras de uma vida.

De uma vida

Sobre “uma vida”, podemos dizer, a partir do magnífico texto-testamento de Deleuze, que ela conserva o que há me mais singular e, ao mesmo tempo, de mais impessoal. Ou, nas palavras de Deleuze,

 

Entre sua vida e sua morte, há um momento que não é mais do que aquele da vida jogando com a morte. A vida do indivíduo deu lugar a uma vida impessoal, mas singular, que despreende um puro acontecimento liberado dos acidentes da vida interior e da vida exterior, isto é, da subjetividade e da objetividade  daquilo que acontece. [14]

E sobre “uma letra”, o que poderíamos dizer? A partir da Psicanálise, talvez disséssemos que a letra é justamente aquilo que faz a borda entre o simbólico e o real, entre o gozo e o saber, entre o sentido e o não sentido. Mas talvez o que mais nos interesse, aqui, ao evocar a letra para se pensar num método barthesiano de escritura e leitura, seja a concepção proposta pelo próprio Barthes, quando ele indaga: “As letras servem para compor palavras? Sem dúvida, mas também para algo mais. O quê? Abecedários.”[15]

Ora, não é preciso ir muito longe na leitura dos textos de Barthes para perceber que, em sua grande maioria, eles obedecem ao “espírito da letra”, esse espírito que parece determinar um modo de composição próprio aos abecedários. E não são os abecedários uma espécie de “redução à letra” desses livros totais, totalizantes, que pretendem ser as enciclopédias e os dicionários?

 

No entanto, como observa o próprio Barthes, há algo desses livros totalizantes que se aproxima radicalmente do fragmento e do fragmentário, que, por sua vez, reside na base do que se convencionou chamar, em nossa cultura, de poesia. Ou, nas palavras do autor, ao se referir à palavra na poesia moderna,

 

Aqui a palavra é enciclopédica, contém simultaneamente todas as acepções entre as quais um discurso relacional a teria obrigado a escolher. Ela realiza, então, um estado que só é possível no dicionário ou na poesia, onde o nome pode viver privado de seu artigo, reduzido a uma espécie de estado zero, mas prenhe de todas as especificações passadas e futuras.[16]

Seria possível pensar, então, que o chamado método biografemático, em Roland Barthes, reduz “uma vida”, essa potência ao mesmo tempo singular e impessoal, à singularidade e à impessoalidade característica dos dicionários, que, ao mesmo tempo, constituem-se nas elementos fundamentais da poesia?

Curiosamente, em algumas biografias de Barthes, leremos que o autor não se interessava pela poesia.[17] E, de fato, são raras as vezes em que Barthes se detém nas questões especificamente relativas à poesia. Entretanto, é justamente em seu último seminário – A preparação do romance – que vemos, para além de seu desejo de escrever um romance, a absoluta afinidade de Barthes com o discurso poético e uma explicação possível para a sua suposta incapacidade para escrever um romance:

 

Talvez, portanto, conseguir fazer um  romance (tal é a perspectiva – o ponto de fuga – de nosso curso), é, no fundo, aceitar mentir, conseguir mentir (mentir pode ser muito difícil) — mentir com aquela mentira segunda e perversa que consiste em misturar o verdadeiro e o falso —– Definitivamente, então, a resistência ao romance, a impotência da prática   do romance seria uma resistência moral.[18]

Digamos, então, que, na perspectiva barthesiana, o romance aceita, com facilidade, a “impostura perversa” em que consiste toda e qualquer ficção. Enquanto a poesia, tanto quanto o dicionário, reduzindo as palavras a uma espécie de “grau zero”, é capaz de alcançar aquele estado linguístico que Maria Gabriela Llansol chamaria de “língua sem impostura”.[19] E não seria justamente este  o estado visado por um método biografemático? Aquele que, resistindo à ficção das biografias, pretende extrair, de “uma vida”, apenas a sua letra?

 

Da derrelição –

Retornemos à ela, à derrelição. Dessa palavra, sabemos que ela é o centro de um livro cujo título aponta para a radicalidade da letra de um nome: A obscena senhora D, de Hilda Hilst. E sabemos, também, que ela foi o centro de um livro recente, de Catherine Millot, O Solitude, livro em que se escreve, por biografemas, a história das paixões devastadoras de Millot, até que ela pudesse fazer, da solidão, sua mais doce escolha. Para chegar a isso – à radicalidade dessa escolha, que coincide com a radicalidade dessa confissão – foi preciso, à autora, passar por Roland Barthes – o último Barthes, como ela o chama, depois do luto de sua mãe – e por Hudson, o ornitólogo que, no início do século XX, teria vivido a experiência da mais absoluta derrelição nas terras da Patagônia.

Quanto a mim, foi preciso que eu a esquecesse – a palavra derrelição – que eu a perdesse – pois, na tradução que primeiramente li desse livro de Millot para o espanhol, a tradutora foi obrigada pelo editor a abrir mão da palavra “derrelição”, em favor de “desamparo” – para reencontrá-la, através dos ouvidos afinados dessa mesma tradutora, que a localizou em um conto meu – “A casa insone”[20] –, conto que foi escrito a partir de uma visita que fiz à Casa do Sol, de Hilda Hilst, depois de sua morte. No entanto, também eu, no exercício do puro “esquecimento”, ou do recalque, preferira a palavra “desamparo” para falar da derrelição que ali se imprimia, nas paredes daquela casa onde reina, ainda hoje, uma “profusão amarga de sinais”[21].

E agora, depois de ressuscitada, essa palavra que evoca, para mim, o gozo lacaniano, o gozo d’A Mulher que não existe, só poderia vir pousar no texto de Roland Barthes por força de uma letra, que não por acaso escreve, em um só golpe, as palavras “derrelição”, “digressão” e “desastre”.

Permitam-me, então, para finalizar esta breve homenagem àquele com que aprendi a arte da digressão,   encerrar o aberto de tão vasta paisagem com este fim abrupto, em forma de desastre. Porque, afinal, o desastre, não sendo a tragédia nem tampouco o drama de uma vida, não passa da constatação de que uma estrela cai, como uma vida cai, cai para sempre, insubstituível:[22]

DERRELIÇÃO. Não, não parece triste. Talvez porque as duas primeiras sílabas lembrem derrota, e lição é sempre muito chato. Não, não é triste, é até bonita. Desamparo, Abandono, assim é que nos deixaste.[23]

Da lição de Barthes, de sua Leçon[24], me lembro a cada vez que o sabor de um certo saber me ressuscita, em sala de aula. De sua derrelição, me lembrarei sempre, sempre que um texto de gozo me fizer entrar numa relação de crise com a linguagem, sempre que sua solidão poético-teórica vier me fazer companhia. E então lhe direi, em silêncio: “Desamparo, Abandono, assim é que nos deixaste”.

 

Referências Bibliográficas

 

BARTHES, Roland. Aula. Trad. Leyla Perrone-Moisés. SP: Cultrix, s.d.

BARTHES, Roland. Fragmentos de um discurso amoroso. Trad. Hortência dos Santos. 4 ed. RJ: Francisco Alves, 1984.

BARTHES, Roland. O grau zero da escritura. Trad. Anne Arnichand e Álvaro Lorencini. SP: Cultrix, s.d.

BARTHES, Roland. Incidentes. Trad. Julio Castañon Guimarães. RJ: Guanabara, 1988.

BARTHES, Roland. O óbvio e o obtuso. Trad. Léa Novaes. RJ: Nova Fronteira, 1990.

BARTHES, Roland. A preparação do romance. v.1. Trad. Leyla Perrone-Moisés. SP: Martins Fontes, 2005.

BARTHES, Roland. Roland Barthes por Roland Barthes. Trad. Leyla Perrone-Moisés. SP: Cultrix, s.d.

BARTHES, Roland. O rumor da língua. Trad. Mário Laranjeira. SP: Brasiliense, 1988.

BARTHES, Roland. Sade, Fourier, Loyola. Lisboa: Edições 70, 1979.

BLANCHOT, Maurice. L’écriture du désastre. Paris: Gallimard,

BLANCHOT, Maurice. Trad. O espaço literário. RJ: Rocco, 1987.

BRANCO, Lucia Castello. Preces para a amiga submersa. RJ: Circuito, 2013. P. 123-124: A casa insone.

DELEUZE, Gilles. Uma vida. Educação e Realidade, Porto Alegre, UFRGS, v. 27, n. 2, 2002. P. 10-18.

HEIDEGGER, MARTIN. A origem da obra de arte. Trad. Manuel Antônio de Castro e Idalina Azevedo da Silva. Lisboa: Edições 70, 2010. P. 223-245.

HILST, Hilda. A obscena senhora D. SP: Massao Ohno, 1982.

LLANSOL, Maria Gabriela. Diários de Llansol. BH: Autêntica, 2011. P. 46-51: A escrita sem impostura. [Entrevista a Lucia Castello Branco].

LLANSOL, Maria Gabriela. A restante vida. Porto: Afrontamento, 1983.

LLANSOL, Maria Gabriela. O sonho de que temos a linguagem. Revista Colóquio-Letras, Lisboa, Fundabenkian, n. 143-144,  jan. 1997, p. 5-18.

MILLOT, Catherine. O Solitude. Paris: Gallimard, 2011.

MILLOT, Catherine. Oh, Soledad! Trad. Beatriz Vegh. Barcelona: Ned Ediciones, 2014.

MOTTA, Leda Tenório da. Roland Barthes: uma biografia intelectual. SP: Iluminuras, 2011.

[1] Escritora, professora Titular em Estudos Literários da FALE-UFMG.

[2] MILLOT, Catherine. O Solitude.

[3] HILST, Hilda. A obscena Senhora D.

[4] Sobre o Dasein, em Heidegger, lemos, em nota de tradução de Manuel Antônio Castro, em HEIDEGGER, Martin. A Origem da Obra de Arte: “O sentido dicionarizado de Dasein é existência. Mas não é esse o sentido que aparece no todo da obra de Heidegger (…) É necessário pensar o Da-sein na dinâmica do Er-eignis. Mas um vocábulo não exclui o outro. Ambos acentuam a facticidade do ser humano, o fato de que ele está permanentemente em liminaridade (…). Numa ousadia digna de louvor e de convite ao pensar, Márcia Sá Cavalcante, na tradução de Ser e Tempo para o português, propos Presença(…) E, desde 2004 (…), propusemos a tradução de Da-sein  por Entre-ser e Ser-do-entre (…) Somos como existência Entre-ser, o dar-se como clareira e abertura.” A nota se prolonga, com vários desdobramentos linguísticos e filosóficos acerca do vocábulo, mas aqui interessa-nos pensar a derrelição no campo do “entre-ser”, como clareira e abertura, que coloca o sujeito, em permanente liminaridade, na experiência do “aberto”. Nesse sentido, o “abandono” e o “desamparo”, que caracterizam a derrelição, abririam-se ao ato de “abandonar-se” à experiência da solidão. Agradeço a Jonas Samúdio a pesquisa sobre esta nota acerca do Dasein heideggeriano.

[5] Trazemos, aqui, estas duas noções blanchotianas em articulação, tal como as podemos encontrar em BLANCHOT, Maurice. O Espaço Literário.

[6] MILLOT, op. cit., p. 9.

[7] BARTHES, Roland. Incidentes. P. 43.

[8] BARTHES, Roland. Fragmentos de um discurso amoroso. P. 9.

[9] BARTHES, Roland. O rumor da língua. P. 321: Escritores, intelectuais, professores.

[10] Ibidem, p. 321-322.

[11] BARTHES, Roland. Roland Barthes por Roland Barthes. P.56: O vagante.

[12] Valho-me, aqui, da expressão que dá título a um dos livros de Maria Gabriela Llansol, A restante vida.

[13] BARTHES, Roland. Sade, Fourrier, Loiola. P. 14.

[14] DELEUZE, Gilles. A imanência: uma vida.

[15] BARTHES, Roland. O óbvio e o obtuso. P. 94: O espírito da letra.

[16] BARTHES, Roland. O grau zero da escritura. P. 61.

[17] Refiro-me aqui, especificamente, à “biografia intelectual” de Leda Tenório da Motta, intitulada Roland Barthes, uma biografia intelectual.

[18] BARTHES, Roland. A preparação do romance. P. 224-225.

[19] A esse respeito, ver entrevista de Maria Gabriela Llansol a Lucia Castello Branco. A escrita sem impostura.

[20] BRANCO, Lucia Castello. Preces para a amiga submersa.

[21] Faço uma alusão, aqui, ao texto de Llansol “O sonho de que temos a linguagem”.

[22] Faço aqui alusão ao livro de Maurice Blanchot, L’écriture du désastre.

[23] HILST, Hilda. Ibidem, p.

[24] BARTHES, Roland. Aula.

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