Estético Convívio

luzdo encontro

Foto de Tatiane de Souza —  “A luz que antecedeu o Encontro Inesperado do Diverso”.

Nos dias 28 e 29 de abril, realizamos, na Faculdade de Letras da UFMG, o II Seminário de Estudos Literários da UFMG: Pensar a Literatura Incomparável, em parceria com o Programa de Pós-graduação em Ciência da Literatura, da UFRJ, com a Letra Freudiana, e com o apoio da Cas’a’screver.

Marcado pelo incomparável e pelo incomensurável, o “encontro inesperado do diverso” assinalou, mais uma vez, que “trabalhar a dura matéria move a língua” e “reúne, pouco a pouco, os absolutamente sós”.

Em breve iniciaremos a postagem de alguns trabalhos apresentados no seminário. E, como um primeiro testemunho desse encontro, postamos a carta de agradecimento enviada por Tatiane de Souza.

Caros,

Passei o dia ontem em silêncio — no silêncio da casa, no silêncio do quarto, no silêncio que veio depois de dois dias de encontros intensos. Ainda estou em “pasmo essencial” pela incomensurável via pela qual caminhamos – essa “medida incomensurável, uma medida infinita que se chama desejo”.

Pude ver pouco das apresentações, pois estava cuidando também de outras coisas, mas foi um pouco gigante, um pouco infinito, um pouco incomparável. Como não me lembrar de Llansol: “Eu leio pouco, mais infinitamente”? Esse fragmento, sobre o qual escolhi falar em meu texto, acompanhou meus passos nesse “encontro inesperado do diverso”, pois pude escutar, ali, em cada canto de leitura, pequenos períodos extensos. Sim, a casa das letras ficou tomada pela escrita e pela leitura.

Nesses pequenos períodos extensos, havia um “torvelinho de intensidades” que acompanhava cada momento, cada instante, cada passagem: um ramo lilás para compor com rigor um começo precioso, a solidão em mar Aberto, o infinito acinzentado do céu, a intensidade das palavras abissais, um ponto branco, as dobras do infinito presentes nos corpos, as vozes cantoras de leitura — lembro-me, especialmente, da voz de Maraíza, lendo, sobre o deserto do texto, acompanhada pela chuva pausada. Foi bonito. Estávamos, lá, nós, reunidos, lendo infinitamente a incomparável “restante vida” que nos acompanha. “Ler, lendo, antes de ler, a ler, depois de ler, lembrando que estava a ler, lembrando a leitura”.

Só tenho a agradecer que, por tão grande graça da textualidade, na errância de nossos passos, tenhamos nós encontrado. Agradeço pela alegre “companhia que eu por nada trocaria”.

Um forte abraço em cada um…

Tatiane

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3 respostas para Estético Convívio

  1. Raquel Jardim Pardini disse:

    Que delicadeza e tocante texto TAtiana! Saudades… como é bom poder te encontrar pelo virtual! mas intenso lugar de trocas!! existe um silencio falante no virtual! com carinho e ate mais!!!
    Raquel Jardim Pardini

  2. Lia Krucken disse:

    Que lindo o encontro que continua na carta… o fulgor chega aqui, do outro lado do oceano, nas palavras-pássaros da Tatiana. Saudades dos legentes e dos escreventes deste “estético convívio” tão especial!

  3. Ei, Raquel, que os encontros continuem… “Continuemos,pois”, como já escreveu Llansol, certa vez, após a realização do I Colóquio Internacional, sobre seu texto, em Sabará.

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