Companheiros improváveis

Manuscrito de Fernando Pessoa

Quando lemos em Pessoa “não sou ninguém”, somos rapidamente reenviados ao devir de seu nome: Pessoa, personne, a persona de ninguém. Mas é Maria Gabriela Llansol quem, ao perseguir esse devir em direção à escrita do desassossego e ao desassossego da escrita, termina por metamorfoseá-lo em falcão, aliviando-o de seu maior obstáculo — a pessoa — e fazendo com que escutemos, no nome dado a essa metamorfose — Aossê –, não só um anagrama imperfeito de Pessoa, mas o próprio desassossego.

É, pois, como companheiro improvável de Llansol que Pessoa merece ser revisitado, na obra da escritora. Pois ali, não mais reduzido a seu próprio obstáculo, ele voa para além do devir-eu, já que “um eu é pouco para o que está em causa.” Sem eu e sem rosto, Aossê, companheiro improvável de Llansol, abrirá seu texto ao devir-ninguém, indo ao encontro de seu feminino assimétrico e impessoal: o feminino de ninguém. É o que lemos no texto a seguir, de Tatiane Souza Costa, em que Pessoa e Llansol se encontram na passagem do eu ao ele sem rosto: O devir-eu de Fernando Pessoa – o poeta, os outros, a poesia.

Assim se encontram esses companheiros improváveis, distantes como a palma da mão, unidos numa mesma pergunta, aquela que encerra o desassossego da escrita:

Manuscrito de Maria Gabriela LLansol

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