Companheiros improváveis

“Troncos” — Foto de Lucia Castello Branco

Bastaria que lêssemos a frase de Kafka — “a partir de certo ponto não há mais retorno” — para termos a suspeita de que Maria Gabriela Llansol e Herberto Helder em algum ponto terminariam por se encontrar. Mas é justamente no “corpo de poema” que eles  se tocam, como companheiros (im) prováveis. Pois, se um corpo é mais que  vísceras e humores, como assinala Llansol, é também de vísceras e humores que ele se constrói. Onde ela escreveria ruah, ele talvez escrevesse ” um nó de ar no coração”. Onde ela desenharia  um corp’a’screver, ele talvez projetasse “um nó de sangue na garganta”. E, no entanto, para ambos a meta é outra: a da metamorfose, não a da metáfora. Assim como é outra a paisagem: a da substância lenhosa da árvore da carne, a carne da língua. Ouçamos , pois, o silêncio de MGL à volta do poema de HH, no belo texto de Erick Gontijo:  Texto Erick Gontijo

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