Estético convívio

paulo de andrade, “Um poeta na Cas’a”, em foto de Ana Alvarenga, 17 de junho de 2017

A frágil porcelana da escrita. Talvez tenha sido esta a frase que ressaltou, como resto cantável, do encontro de hoje na Cas’a’screver, com o poeta paulo de andrade. Assim, com minúsculas, como ele escolheu se escrever, com o “de” em secreta homenagem a Mário de Andrade, o poeta abriu, com a leitura de seu livro O dia sem poeta, os encontros “Um poeta na Cas’a”,  que hoje inauguramos.

Convidado a apresentar Paul Celan, de quem traduziu do francês alguns poemas e a quem dedicou seu  livro mais recente, paulo conseguiu, naquela manhã de exuberante azul, produzir “o silêncio por meio do silêncio”.

Apresentado por Jonas Samudio, seu aluno e também poeta, paulo iniciou com a questão que circunscreve a poesia de Celan e também a sua: “Onde buscar testemunho para o que não tem testemunho?” E ali, em meio a uma plateia de vinte e cinco ouvintes silenciosos, apresentou seu testemunho poético.

Entre o salto que é travessia e o salto que é abismo, estivemos suspensos, todos nós, durante as duas horas que a manhã e o seu azul testemunharam. Do resto cantável, ressoa ainda, no ressalto de uma frase — a frágil porcelana da escrita, pour Celan — o assombro: “O que é que aqui se passou?”

Nas belas imagens de Ana Alvarenga, que soube fotografar o silêncio, paulo, Celan e nós. 


César Guimarães e Félix Kaputu, em foto de Ana Alvarenga

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