Notas de leitura

Inquérito às quatro confidências — Foto  e notas de Jonas Samudio

Nenhum traço se perde. Talvez seja esta a breve notatio que nos salta aos olhos, quando abrimos, com Jonas Samudio, o seu Inquérito às quatro confidências, de Maria Gabriela Llansol. Objeto de suas pesquisas para a dissertação de mestrado, desenvolvida já há alguns anos na Universidade Federal de Uberlândia, sob a orientação de Paulo de Andrade, o seu livro traz as marcas de suas anotações e de seu corpo de jovem pesquisador, que então se iniciava na leitura da textualidade Llansol, em busca do “há” que ali se afirma.

Sabemos que antes, no fora do livro, mas dentro do caderno, Maria Gabriela Llansol já havia anotado o nome de Paulo de Andrade, quando dele recebera, através de Rebeca Cordeiro, num pacote enviado por Lucia Castello Branco, suas notas de leitura sobre o poeta Cesário Verde. E essas notas se reuniram no impactante texto “O sonho de que temos a linguagem”, publicado em janeiro de 1997, na Revista Colóquio-Letras, números 143/144.

Hoje, quando recebemos estas notas de leitura de Jonas Samudio, quando assistimos ao esforço sistemático do Espaço Llansol para que se efetue um “apagamento dos traços” que desenham há vinte e seis anos, do outro lado do Atlântico, a trajetória da textualidade Llansol, é com alegria que relemos: “Nenhum traço se perde, mesmo que tenda a apagar-se”. 

E aqui damos a ler, na íntegra, “O sonho de que temos a linguagem”, sublinhando, da abertura deste impactante texto, as palavras de Llansol: “Falei, noutro lugar, de um pacto de bondade. Faz parte desse pacto não recusar a um grande criador: ‘Quando eu me for, feche o meu texto'”.

E, desse texto, sublinhamos também a questão que Llansol nos traz:        “Digo-vos apenas que são fortes, os deles, abertos ao meu texto. Como não abrir o meu texto ao deles?”

Entre o fechamento e a abertura, a sístole e a diástole, a respiração da textualidade. Porque, para um corp’a’screver, “há o sexo de ler”. E esta, talvez, seja a  nossa quinta confidência, aquela que se escreveu no Brasil, numa cidade serrana, “onde reina ainda uma profusão amarga de sinais”.

Foto e notas de Jonas Samudio

Foto e notas de Jonas Samudio

Leia, aqui, o texto “O sonho de que temos a linguagem”, de Maria Gabriela Llansol: 

http://coloquio.gulbenkian.pt/bib/sirius.exe/issueContentDisplay?n=143&p=5&o=p

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