O começo é precioso

Iniciamos, hoje, mais uma série em nosso fio de água do texto, com o nome de “O começo é precioso”. Saudando o começo de um novo ano e tudo o que com ele começa, e celebrando O começo de um livro é precioso, de Maria Gabriela Llansol, a série se abre, hoje, com o começo de Lia Krucken, com seu projeto pós-doutoral que se inaugura neste ano de 2018, no Colégio das Artes da Universidade de Coimbra.

Inspirado nas sobreimpressões llansolianas e no movimento de Lisboaleipzig, o projeto se intitula CoimBraBerlim, tendo, entre as duas cidades da Europa, o Brasil. Por isso, porque o começo é precioso, e porque o Brasil está no centro, comecemos pelos índios, pelas aldeias e pelo desejo de uma comunidade que, com eles, um dia, aqui, começou.

Ashaninka, foto de sebastiao salgado
Calendário fotográfico Ashaninka. Foto por Sebastião Salgado, 2016

Se você foi a Amazônia
Lia Krucken

E, se você foi a Amazônia só “para visitar” e não sabe bem explicar quando perguntam o que veio fazer ali: pode contar a história do calendário. Doze meses, doze imagens dos Ashaninka habitaram a parede amarela da casa em Hamburgo. À cada virada de folha, o pensamento ia para lá, esse lugar que até então não existia, mas que foi se criando no desejo. Das fotos em branco e preto, tiradas por Sebastião Salgado, a vontade de ver o verde real. E, se você comprou o calendário “por acaso”, para ajudar numa vaquinha para um pajé que teve a perna mordida por uma cobra danada, e agora vê ele andar faceiro com uma prótese, você sorri. Abraça, fica feliz e esquece de tirar foto.

Anda pela aldeia. Passa por árvores, casas, pé na lama. E, se você se distancia um pouco dos outros, também do seu marido, que não entende isso, porque aquela viagem é também para dentro de si, acho que deve relaxar. Durma em sua rede azul, feche o mosquiteiro fininho, verde, que funciona como um véu para o mundo.

E, se o antigo xale vermelho agora te parece indígena, combine com os colares de sementes pretas que você comprou na aldeia e sinta-se amiga-ashaninka. Use-o todos os dias. E, se depois de uma semana, você se olhar no espelho pela primeira vez e tiver que olhar de novo, surpresa, tentando entender quem é, talvez possa explicar nessa pergunta a exitação (hesitação/excitação) de um começo em continuar prosseguindo.

ashaninka - 1 (3)
Na aldeia Ashaninka. Foto por LK

ashaninka - 1
Foto por LKBrasil 2018 - 11
Foto por Peter Moll

 

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Uma resposta para O começo é precioso

  1. Mariia José Vargas Boaventura disse:

    Maravilha! Manter o começo prosseguindo!

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