Notas de leitura

Notas de leitura de Maria Antunes — Foto de Lucia Castello Branco

“Como refiro algures, O livro das comunidades nasceu ‘da tentativa inabalável de reconduzir à fala e à convivência de grupo uma criança espanhola aparentemente autista que fora levada à escola onde eu ensinava’.”

Este fragmento de Maria Gabriela Llansol, introduzindo os “Apontamentos sobre a Escola da Rua de Namur”, texto que se integrou à segunda edição de  O livro das comunidades (Lisboa: Relógio D’Água, 1999), conduzem-nos aqui, na leitura das notas enviadas por Maria Antunes Tavares, do Rio de Janeiro.

Tendo sido aluna, durante sete anos, dessa escola fundada por seus pais, ao lado de Maria Gabriela, Augusto Joaquim e outros, Maria teria “só depois” reencontrado, no filme Redemoinho-Poema e no livro Cadernos de AmorÍmpar 2: Maria Gabriela Llansol, estas memórias de infância: o cavalo Pégaso, a Escola da Rua de Namur, a sua Gabi.

Mas bastou que esse “encontro inesperado do diverso” se desse para que um passo além do retorno pudesse também se dar: aquele que assinala que, no “só depois” do encontro da psicanálise com a literatura, uma escrita  poderá, enfim, ser inaugurada.

No futuro autobiográfico dessa escrita, vemos uma menina que encontra, nas formas do pão, um rosto. E esse rosto se desenha, afinal, do encontro das notas de leitura de Maria Antunes com as de Maria Gabriela Llansol, em seus “apontamentos”: os da Escola da Rua de Namur e os do extremo ocidental do Brabante.

Leia, aqui, o fragmento de Llansol que faz referência à menina Maria:

“O grupo das crianças mais velhas entra, indiferente ao ambiente ou às pessoas que vigiam os fornos. Cada uma escreve o relato que quis fazer do dia. Penso que estão unidas e separadas, como uma matilha, ou um bando na floresta. Maria vem mostrar-me um pão retangular onde foi desenhado, com fitas de massa, um rosto. É sobre esse rosto que Albert escreve. Depois, mostra-me outro pão, redondo, que, na côdea, tem representado um golfinho ou um automóvel.” (LLANSOL, “Apontamentos sobre a Escola da Rua de Namur”, em O livro das comunidades p. 90).

Leia, aqui, as notas de Maria, onde se entrecruzam a escola da infância, o autismo, o gozo feminino e o “feminino de ninguém”, num encontro da psicanálise com a literatura:

Fotos de Lucia Castello Branco

Anúncios
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s