A luta cotidiana pelo fulgor: feminino de ninguém

Foto de Fernanda Teles.

 

Trigésimo oitavo dia

 

“Estou a acrescentar-lhe um ramo florido”, escreveu Llansol, na Carta ao legente; e, com isso, escreve também o ramo lilás: que o dom vem acrescer àquilo que, testemunhado pelo corpo, falta.

 

Há o masculino, há o feminino, ela disse, e acrescentou: há o seu além. Escrito nas páginas desse encontro, as que nos veem do alto.

 

Foto de Fernanda Teles.

 

E em suas penas.

“Há um feminino de ninguém”: sob essas palavras, o fulgor de uma tarde de sexta, um tanto fria, um tanto quente, logo após a chuva benfazeja. E vertiginosa, como as palavras que insistem em dizer: não existe; mas ex-siste.

Antígona, Lilith e Llansol testemunham: “é escrita por:_____”.

 

Foto de Fernanda Teles.

 

– Um passo a mais em direção ao que, do real, talvez, nalgum momento, se escreva.

– Então, se escreve?

– Há um que se escreve. Como?

– Assim, há sim: Há um, Há do Um, H(aí)do Um, Há aí algo do Um, para início de conversa – acrescentou.

E era um ramo.

 

Foto de Fernanda Telles.

 

– E do Um, do primeiro esse, aos que o seguem, até o que está todo só.

– Absoluto? Palavra perigosa.

– Talvez. Mas, já que escrever não é sem perigo, posso dizer: ab-solutus, pode ser entendido como perfeito e acabado, mas também solto, desligado, para fora, na sua vizinhança.

– Como ela o escreveria!?

– Há um feminino de ninguém absolutamente só.

– Não existe, mas há, e é escrita por ____.

 

Foto de Fernanda Tels.

 

E nos voltamos para ela, a mulher que escreveu.

E para elas, figuras que ela escreveu: o “há”, “deus”, desdobrados em “a-deus”, em “há deus”: uma tese defendida neste 26 de setembro, por Jonas Samudio, acompanhada por Lucia Castello Branco, Vania Baeta, Maria Esther Maciel, Jacyntho Lins Brandão, Erick Gontijo, e por amigos, e pelo texto.

E o amor.

E, aqui, o texto de apresentação a se escrever: para o há deus, Jonas Samudio.

O vigor e a doçura, no testemunho de algumas imagens.

E o que restou escrito, desse dia: não existe, mas é excrita por ____.

 

… por Jonas Samudio.

 

 

 

Fotos de C.Rafael Pinto.

 

 

Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

Uma resposta para A luta cotidiana pelo fulgor: feminino de ninguém

  1. Uma felicidade a cada semana ler o fio de água. Que esta seja a fonte fresca de que necessito para revigorar ideias.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s