Cas’a’screver expandida

Foto de Janaína de Paula

Ouça aqui a entrevista de Tiago Pissolati, para o programa Universo Literário da Rádio UFMG Educativa, sobre sua leitura do tarô, a partir do Livro do           desassossego, de Bernardo Soares (e fragmentos de Maria Gabriela Llansol, Clarice Lispector e Italo Calvino, dentre outros), realizada na 69 Reunião da SBPC, em julho deste ano, na UFMG. 

Pensando a leitura a partir das figuras do tarô, tomadas em sua literalidade de figuras (e não exatamente a partir daquilo que elas representam), Tiago propõe, à maneira de Llansol, uma entrada no “mundo figural”, sem esquecer que “entre a literatura e o mundo há ainda o ressalto de uma frase”. 

https://www.ufmg.br/online/radio/arquivos/048150.shtml

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Cas’a’screver expandida

Foto de Maria José Vargas Boaventura

Ouça aqui a entrevista de Janaína de Paula para o programa “Universo literário” da Rádio UFMG Educativa, sobre a prática da letra, a partir da questão “Onde começa a escrita?”, por ela ministrada, ao lado de Maraíza Labanca, na 69 Reunião da SBPC na UFMG.

Como os ateliês promovidos por Llansol, na École de la Rue de Namur, na Bélgica, as práticas da letra, realizadas em Belo Horizonte há vinte e seis anos, apostam na solidão da letra em comunidade, testemunhando que “trabalhar a dura matéria move a língua” e reúne, pouco a pouco, “os absolutamente sós”. Ouça, aqui, a entrevista: http://bit.ly/2x398Kb

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Estético convívio

Félix Kaputu na Cas’a’screver — Foto de Lucia Castello Branco

“Meu nome é exílio”. Talvez tenha sido esta frase de Llansol aquela que escutamos ontem, na manhã de céu azul em que Félix Kaputu esteve na Cas’a’screver, lendo, em francês congolês, as primeiras páginas de seu mais recente livro K-Triangle de la mort: descente aux enfers (New Orleans: Presses Universitaires du Nouveau Monde, 2013).

Numa primeira apresentação pública desde que chegou ao Brasil, em junho deste ano, Félix celebrou conosco a implantação da CABRA – Casas Brasileiras de Refúgio (www.cabrarede.wordpress.com), através do convênio firmado, em janeiro deste ano, entre a UFMG e a ICORN (www.icorn.org). 

Falando sobre seu livro,  seu exílio e  a atual situação política na chamada República Democrática do Congo, o escritor, com a dignidade de sua presença serena, impactou a plateia ali reunida, que alguma vez quem sabe terá lido estas palavras de Llansol, em A Restante Vida

“O sobrevivente tem aqui o nome de Pobre. Dele não se poderá sequer dizer que seja um pobre homem. Homem não há, o pobre é a imagem perdida da batalha.”

Mas não foi o discurso da derrota o que escutamos ontem, nas palavras de Félix Kaputu. A indignidade da situação em momento algum foi capaz de turvar a dignidade daquele Pobre. Num gesto alquímico, como o descreve o poeta Octavio Paz,  ele parecia testemunhar que “quem viu a Esperança não a esquece. Procura-a debaixo de todos os céus e entre todos os homens”.

Foi assim que saímos, na manhã de ontem, daquela Cas’a: impactados e indignados, mas cobertos por algum céu, de imperfeito azul. 

Leia, aqui, em português, as primeiras páginas do livro de Félix Kaputu:        K-TriângulodaMorte

 

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Cas’a’screver expandida

Foto de Lucia Castello Branco

Ouça aqui a entrevista de Vania Baeta, sobre o programa “Migalhas Literárias”, da Rádio UFMG Educativa, recentemente apresentado na 69 reunião anual da SBPC. O programa, por ela coordenado há cinco anos, nasceu de uma oficina no Festival de Inverno da UFMG, que recebeu o nome inspirado em Llansol: “Cantores de Leitura”. Ao fim da entrevista, como um “resto cantável”, a migalha “resto”,  na voz de Maraíza Labanca:

https://www.ufmg.br/online/radio/arquivos/048138.shtml

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Cas’a’screver expandida

Felix Kaputu no Mercado Central de BH — Foto de Dunya Azevedo

Iniciamos hoje uma nova série, intitulada “Cas’a’screver expandida”, que se dedica a anunciar, relatar, mostrar alguns movimentos que comumente ocorrem dentro da Cas’a, então transportados  para fora dela, que afinal “se abre para fora de si mesma”. São muitos os movimentos e às vezes não registráveis. Mas, algumas vezes, eles podem ser capturados através de textos, imagens, olhares sensíveis daqueles que, habitando a Cas’a, levam-na para outros espaços, entendendo, com Maria Grabriela Llansol, que todas elas são “casas da Casa do Pinhal” e que “escrever é amplificar pouco a pouco”.

Foi o que aconteceu ontem, na visita que fizemos ao Mercado Central de Belo Horizonte, com Félix Kaputu, o primeiro escritor exilado a vir para o Brasil, através do convênio entre a UFMG e a ICORN, que oferece casas-refúgio para que escritores perseguidos em seus países continuem a desenvolver seu trabalho em liberdade de expressão. Assim, celebramos com Félix, a criação da CABRA — Casas Brasileiras de Refúgio –, numa oferta generosa da escrita, das cores e das ervas.

Félix Kaputu estará na Cas’a’screver no próximo dia 12 de agosto, apresentando um de seus livros recentes — K — triangle de la mort: Descente aux Enfers (New Orleans: University Press of the South, 2013). Para ele, que hoje inaugura um projeto que trará outros escritores perseguidos, de outros países, podemos dizer, como palavras de acolhimento, aquelas de             Maria Gabriela Llansol, na Carta ao Legente:

“Começais a vir, fazendo-me companhia, que eu por nada trocaria”.

Lucia Castello Branco, Félix Kaputu e Dunya Azevedo, no Mercado Central de BH

 

Féliz Kaputu, em foto de Dunya Azevedo

 

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Estético convívio

Foto de Jonas Samudio

O que pode um livro aberto em meio ao ruído de um enorme galpão lotado de alunos, professores, cientistas, curiosos, transeuntes? Que espessura de silêncio é possível alcançar, com a leitura em voz alta de fragmentos de fragmentos e com a escuta distraída de algumas migalhas literárias? 

Assim se reuniram alguns dos habitantes da Cas’a’screver nesta semana, na 69 Reunião da SBPC, realizada na UFMG: em torno do tarot literário de Tiago Pissolati, das migalhas literárias de Vania Baeta e da prática da letra proposta por Janaína de Paula e Maraíza Labanca, a partir de duas perguntas que ali se encontraram: “Como começa a escrita?” e “O que te fracassou?”

Ao lado da plateia, em discreta presença, o apoio de Jonas Samudio, a servir o papel, o lápis, a água, o café, o pão. E a escutar, como quem “se apoia na falta de apoio”, para depois ler e escrever. 

Tiago Pissolati (Foto de Jonas Samudio)

O público do tarot literário (Foto de Kleriston Kolive)

Maraíza Labanca e Janaína de Paula (Foto de David Assunção)

Pausa a ler (Foto de Jonas Samudio)

Os ouvintes e os transeuntes, na exibição das Migalhas Literárias, por Vania Baeta        (Foto de Jonas Samudio)

Leia aqui  o texto-escuta de Jonas Samudio, quando  eufêmea escreve sbpc (1)

 

 

 

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Estético convívio

Amanhã, em estético convívio com a 69 Reunião da SBPC na UFMG, abriremos, em uma tenda branca, o “Café com Migalhas Literárias”, com as leituras de tarot de Tiago Pissolati, a partir do Livro do Dessassossego, de Bernardo Soares, o semi-heterônimo de Fernando Pessoa.

Que destino nos reservam as cartas de tão dessassossegado tarot?      Ouçamos Tiago Pissolati:

Certa vez, um jovem Fernando Pessoa olhou para o céu para encontrar nele um livro. Mergulhado nas luzes ocultas dos astros e atento à precisão das efemérides, o poeta fez-se outro: Rafael Baldaya, escritor de astrologias, para quem “o horóscopo revela, pouco mais ou menos, o que o mundo vê”.

Outro Pessoa, um certo Alberto Caeiro, outrora escrevera que “sou do tamanho do que vejo”. Ainda outro, de nome Bernardo Soares, estremeceu diante do verso e viu cair sobre si “a paz indecifrável do luar duro que começa largo com o anoitecer”.

Leitor do indecifrável da noite, ele buscou da noite o que o mundo vê. Porque ele é do tamanho da noite que o mundo vê, e porque tudo no mundo, tudo na noite, existe para desaguar num livro. Por isso, ler de Pessoa um outro, mais que ele-mesmo; por isso, ver o Desassossego desaguar em Livro, num outro livro.

Num outro Livro: sem lombadas, de páginas soltas, daquela misteriosamente precisa combinatória; um livro que comece e recomece a cada noite, mimetizando as curvas dos astros, escrevendo o indecifrável do luar. Um outro Livro do tamanho do que o mundo vê — desassossegado, o Tarot.

É possível que também Maria Gabriela Llansol tenha alguma vez pensado nesse livro de Bernardo Soares como um livro oracular. Pois, em 8 de agosto de 1986, ela escreveu em seu caderno:

_______ dentro do Livro do Desassossego encontro uma folha de papel de máquina, dobrada em quatro e, em cabeça da página:

Herbais, 26 de maio de 1982.

Nos dois quartos inferiores, trabalhos prévios, radículas de texto dessa época que, sendo agora raras, aumentam de intensidade:

“se comprarmos esta casa — como pensamos — é possível que nunca mais           regressemos a Portugal para aí viver;                                                                                   se eu morrer na Bélgica, não entrarei no furor do universo pela porta de           Portugal;                                                                                                                                             e o aeroplano da língua, onde subirá?                                                                                 divido-me em muitas tiras, mais ou menos estreitas;                                                   sou um vidro que reproduz várias imagens do mesmo objecto;                                 possuo muitos lóculos, ou cavidades que se movem…” 

(LLANSOL, O azul imperfeito, Livro de Horas V (Pessoa em Llansol), p. 381)

 

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